Um soldado do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso denunciou ter sido humilhado publicamente durante o curso de formação em Cuiabá. Ele também afirma que passou a ser perseguido dentro da corporação e agora responde a uma sindicância que pode resultar em sua demissão. O boletim de ocorrência sobre as irregularidades foi registrado no mês passado. A corporação informou que apura as denúncias.
Segundo o relato, o episódio ocorreu em 30 de julho, durante solenidade matinal na ESFAPE Bravo 3, no Distrito Industrial, em Cuiabá. Conforme o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, antes do hasteamento da bandeira, ele teria sido obrigado a se apresentar como “Primeiro Tenente”, usando insígnias de papelão grampeadas no ombro e um cabo de vassoura como símbolo de posto. A cena foi registrada em fotos e vídeos que posteriormente circularam em grupos de WhatsApp, inclusive oficiais.
O militar também afirma ter sido alvo de xingamentos, castigos físicos, perseguição e assédio moral após reclamar da situação.
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Ele sustenta ainda que foi transferido e excluído do curso como forma de retaliação após denunciar os envolvidos. O soldado atualmente responde a uma Sindicância Demissória.
Ainda conforme a denúncia, após reclamar da situação com a coordenação, ele foi exposto a novas humilhações, como ter que pagar flexões enquanto outros riam.
O bombeiro também relatou que, após uma nova tentativa de denunciar a situação, foi excluído do curso, transferido de forma irregular e com desvio de finalidade, além de ser retirado dos grupos oficiais de comunicação como forma de retaliação.
Em documento encaminhado à Corregedoria-Geral do Corpo de Bombeiros, o militar reforçou as acusações e afirmou que mantinha frequência regular nas aulas do curso, deixando de comparecer somente após ser notificado para permanecer à disposição da Diretoria de Ensino e Instrução (DEIP), em 20 de julho de 2026.
Segundo ele, após a determinação, passou a ser colocado em serviços braçais e teria sido submetido a uma caminhada diária de aproximadamente 14 quilômetros até outro batalhão. O soldado afirma ainda que, mesmo após registrar as atividades no sistema Sigadoc, foi direcionado ao BM-10 para executar trabalhos repetitivos, mantendo a exigência de cumprir o mesmo trajeto.
Na manifestação, ele sustenta que eventuais problemas relacionados à carga horária e à transferência decorreram de erros administrativos e não poderiam ser atribuídos a ele. Também afirma que foi retirado das aulas e dos grupos oficiais do curso sem direito de defesa e que a sindicância demissória seria uma forma de retaliação após as denúncias de perseguição, assédio moral e exposição vexatória.
O militar ainda questiona a condução da sindicância e afirma que pessoas apontadas por ele como envolvidas nas agressões teriam participado do procedimento.
O soldado passou a ser alvo de uma Sindicância Demissória instaurada contra ele. A oitiva, que estava marcada para 25 de agosto, foi redesignada para esta quinta-feira (27), às 9h, no Comando-Geral do Corpo de Bombeiros, em Cuiabá.
Outro lado
Procurada pela reportagem, a assessoria do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso encaminhou a seguinte nota:
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) esclarece que foi instaurada uma sindicância para apurar as denúncias apresentadas pelo soldado bombeiro temporário em questão, que está em fase de conclusão. A Corporação reforça que todos os procedimentos administrativos disciplinares instaurados são conduzidos em estrita observância aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
Gazetadigital




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