28 agosto, sexta-feira, 2026
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6×1: em parecer, relator mantém texto da Câmara para acelerar votação

O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou, nesta quinta-feira (27/8), seu parecer pela admissibilidade da matéria. O senador rejeitou as emendas apresentadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, a fim de acelerar a tramitação.

O senador avaliou, em seu parecer, que nenhuma das sugestões de mudança apresentadas por senadores “corrige vício, supre lacuna ou aperfeiçoa o texto” referendado pelos deputados. Com isso, a PEC fica mais perto da promulgação, uma vez que mudanças de mérito implicariam o retorno da matéria à Câmara, alongando o processo até a conclusão do debate.

O relator defendeu que a redução da jornada representa uma atualização das regras trabalhistas, diante das mudanças ocorridas desde a Constituição de 1988. Ele lembrou que o limite de 44 horas semanais está em vigor há 38 anos e afirmou que a revisão desse patamar “não é, nesse contexto, ruptura, mas atualização há muito devida”.

Aziz também argumentou que as jornadas mais longas atingem principalmente trabalhadores de menor renda e escolaridade.

Com base em dados do Ipea, o senador destacou que 80% dos vínculos com carga superior a 40 horas semanais recebem até dois salários mínimos. Para o relator, a redução da jornada é, por isso, uma medida de “justiça distributiva, e não apenas de política laboral”.

O parlamentar ainda comparou a proposta ao movimento adotado por outros países. Ele citou Colômbia, Chile e México, que aprovaram cronogramas de redução da jornada semanal, e argumentou que o Brasil mantém hoje um limite superior ao padrão de 40 horas defendido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

No parecer, o senador ressaltou que a substituição da escala 6×1 pela 5×2 pode ampliar o tempo destinado ao descanso, à convivência familiar e a outras atividades, como estudo e lazer. Para Aziz, jornadas extensas aumentam o desgaste físico e psicológico.

“Não é a quantidade de dias trabalhados que assegura maior produção: os estudos disponíveis indicam que a saúde mental e a produtividade decaem sob jornadas extensas e concentradas, de modo que o trabalhador descansado rende mais e erra menos”, destacou.

Metrópoles

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