A Polícia Civil investiga as circunstâncias que fizeram uma mulher manter a gravidez em segredo antes de colocar a própria filha em uma lixeira de um condomínio, em Várzea Grande.
Uma das possibilidades analisadas pelos investigadores é de que a mulher tivesse dúvidas sobre a paternidade da bebê. A informação surgiu durante os depoimentos e ainda não é tratada como uma conclusão do caso.
O marido contou à polícia que chegou a suspeitar de uma gravidez, mas afirmou que a esposa nunca confirmou que estivesse esperando um filho. Ele disse que só soube do parto e do descarte da criança depois que a mulher revelou o episódio às autoridades.
Conforme o relato da investigada, o parto aconteceu de madrugada, enquanto o companheiro dormia. Ela afirmou que não pediu ajuda porque ficou desesperada com a situação.
A mulher também declarou que não tinha certeza de que estava grávida. Segundo ela, os sangramentos que apresentava fizeram com que descartasse a possibilidade e, por isso, não realizou acompanhamento pré-natal.
Perícia aponta que bebê nasceu viva
A perícia realizada no corpo da criança indicou que ela nasceu com vida e respirou por um curto período. A bebê estava com aproximadamente seis meses de gestação e pesava cerca de 750 gramas.
Não foram encontradas marcas de agressão, sinais de asfixia ou outras evidências de violência física.
A investigação ainda aguarda exames complementares que poderão verificar se a mulher ingeriu alguma substância com efeito abortivo. A previsão é que os resultados sejam concluídos entre um e três meses.
Outro filho estava na casa
Em depoimento, a mulher disse que agiu rapidamente porque seu outro filho, de aproximadamente três ou quatro anos, estava na residência e poderia presenciar o parto. Segundo ela, a criança chegou a chamá-la enquanto ela estava em trabalho de parto.
A Polícia Civil também informou que não identificou, até o momento, histórico de violência entre a mulher e o marido. Nenhum dos dois nem as testemunhas ouvidas relatou episódios anteriores de agressão.
Investigada continua solta
A mulher deverá responder inicialmente por homicídio. Apesar da gravidade do caso, ela permanece em liberdade.
Segundo a Polícia Civil, a investigada colaborou com a apuração, entregou material biológico solicitado pelos investigadores e não apresentou indícios de que pretendesse fugir ou interferir na coleta de provas.
A possível dúvida em relação à paternidade é apenas uma das linhas consideradas pela polícia. O objetivo agora é esclarecer as circunstâncias da gravidez, do parto e da morte da bebê.
Folha do estado




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