O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro é alvo de nova operação da Polícia Federal (PF) sobre aportes bilionários do RioPrevidência no Banco Master. Nesta terça-feira (26/5), policiais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio e no Distrito Federal em operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF apura aplicações de cerca de R$ 970 milhões feitas pelo fundo previdenciário dos servidores estaduais em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que posteriormente entrou em colapso e foi liquidada pelo Banco Central.
Os investigadores querem esclarecer quem autorizou os investimentos, quais critérios técnicos foram usados e se recursos ligados a aposentadorias e pensões de servidores foram expostos a operações consideradas de alto risco.
O caso é considerado uma das principais crises financeiras envolvendo a gestão Cláudio Castro porque atinge diretamente o patrimônio do RioPrevidência, responsável pelos pagamentos previdenciários do funcionalismo estadual.
Segundo as investigações, os aportes ocorreram entre novembro de 2023 e julho de 2024. As chamadas letras financeiras funcionam como títulos de dívida emitidos por bancos para captar dinheiro no mercado. Na prática, o RioPrevidência emprestou recursos públicos ao Banco Master em troca da promessa de rentabilidade futura.
O problema é que o Banco Master entrou na mira de investigações federais e acabou liquidado em novembro de 2025 após problemas de liquidez e suspeitas de irregularidades no sistema financeiro.
As aplicações feitas pelo fundo estadual também chamaram a atenção porque os papéis adquiridos não possuíam cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege investidores em casos de quebra bancária.
Além dos quase R$ 1 bilhão em letras financeiras, relatórios analisados pela PF apontam que o RioPrevidência teria aplicado aproximadamente R$ 1,5 bilhão em fundos administrados pela instituição financeira.
Batizada de Operação Barco de Papel, a ação desta terça busca identificar se houve gestão temerária, favorecimento indevido ou possíveis irregularidades na destinação dos recursos públicos.
O RioPrevidência afirma que os investimentos seguiram normas legais e que os valores estariam judicialmente protegidos por mecanismos ligados à retenção de receitas de crédito consignado.
Mesmo assim, a PF avançou nas apurações para entender se alertas de risco foram ignorados e quem participou das decisões que permitiram a concentração bilionária de recursos no Banco Master.
O avanço da investigação amplia a pressão sobre Cláudio Castro, que já havia sido alvo de outra operação da PF relacionada ao caso Refit.
Metrópoles




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