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“Mensalinho” de R$ 10 mil teria sido usado para garantir reeleição de Wanderley Cerqueira à Presidência da Câmara de Várzea Grande

O pagamento de um “mensalinho” no valor de R$ 10 mil mensais a vereadores de Várzea Grande teria sido usado para garantir apoio à reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Câmara Municipal. A informação consta na representação criminal do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) que embasou a Operação Cathedra Venalis, deflagrada na terça-feira (20) e que teve 13 vereadores de VG e dois de Cuiabá como alvos na investigação de um esquema de corrupção.

O suposto esquema envolveria, além do pagamento mensal, a oferta de cargos vinculados à Mesa Diretora, com salários e verbas indenizatórias, conforme relato de uma testemunha que pediu a preservação da própria imagem. A representação aponta uma articulação político-administrativa destinada a exercer influência sobre a Câmara Municipal de Várzea Grande, com participação de agentes políticos, entre eles o ex-vice-prefeito Tião da Zaeli, e pessoas com interesses econômicos ligados à atuação do grupo.

Segundo a testemunha, o pagamento do “mensalinho” de R$ 10 mil seria uma das formas de obter apoio à reeleição de Wanderley Cerqueira. Os valores seriam entregues na casa da mãe do vereador, localizada nas proximidades da Unidade Básica de Saúde (UBS) Água Limpa, em Várzea Grande, ou pessoalmente pelo secretário da Câmara e suplente de vereador, Samyr Japonês (PL), em um Toyota Corolla preto blindado. Conforme o relato, os recursos seriam provenientes de contratos de mídia e de indicações na Câmara Municipal.

Outra forma de compra de apoio político envolveria a disponibilização de dois a quatro cargos ligados à Mesa Diretora. Cada cargo teria salário de R$ 5 mil, acrescido de R$ 2,5 mil em verba indenizatória, totalizando R$ 7,5 mil por ocupante.

A representação também relata que os valores teriam sido entregues durante uma reunião de virada de ano, entre 2024 e 2025, na chácara do vereador Dr. Miguel (Cidadania). Na ocasião, segundo a testemunha, teria sido deliberado o apoio à eleição de Wanderley Cerqueira para a presidência da Câmara, além da assinatura de cartas de renúncia que serviriam como garantia dos votos acordados.

Ainda conforme o relato, a cooptação de apoios para a reeleição teria ocorrido no escritório de Wanderley Cerqueira. O local teria sido preparado para registrar clandestinamente os vereadores que aceitassem receber os valores.

As gravações e as cartas de renúncia, de acordo com a testemunha, teriam sido utilizadas como instrumentos de constrangimento, pressão política e extorsão para assegurar a quantidade de votos necessária à reeleição da Mesa Diretora e à continuidade do apoio ao grupo.

Alvos da operação

A Operação Cathedra Venalis teve como alvos 13 vereadores de Várzea Grande, dois vereadores de Cuiabá e dois servidores ligados à Câmara Municipal de Várzea Grande.

Em Várzea Grande, os vereadores alvos são:

– Wanderley Cerqueira (MDB), presidente da Câmara;
– Gisa Barros (Podemos);
– Rogerinho Dakar (PSDB), ex-presidente do DAE-VG e suplente;
– Cilço da Cruz (PV);
– Braz Jaciro (PSDB);
– Alessandro Moreira (MDB);
– Wender Madureira (Republicanos);
– Sargento Galibert (PSB);
– Dr. Miguel (Cidadania);
– Lucélia Oliveira (Agir);
– Kleberton Feitoza (PSB);
– Raul Curvo (Republicanos);
– Enfermeiro Emerson (PP).

Em Cuiabá, os vereadores alvos são:

– Alex Rodrigues (Podemos);
– Ilde Taques (Podemos).

Entre os servidores de Várzea Grande estão Lorineide, diretora financeira da Câmara, e Samir Katumata (PL), secretário legislativo e suplente.

Repórter MT

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