Um casal foi condenado a mais de 363 anos de prisão por crimes de estupro de vulnerável e armazenamento de material de abuso sexual infantil contra diversas crianças em Morrinhos, no sul de Goiás. A sentença foi proferida pela Justiça de Goiás e divulgada nesta semana.
Segundo o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), as vítimas tinham entre 3 e 7 anos. O casal utilizava a própria filha para atrair outras crianças até a residência da família, sob o pretexto de que elas brincariam juntas.
A mulher também oferecia serviços de babá para famílias da região. De acordo com a sentença, essa atividade teria facilitado o acesso a outras crianças.
A mulher foi condenada a 159 anos e 17 dias de prisão, além de 270 dias-multa. O homem recebeu pena de 204 anos, quatro meses e dez dias de reclusão, além de 342 dias-multa. Somadas, as penas ultrapassam 363 anos.
Os dois deverão cumprir as penas inicialmente em regime fechado e não poderão recorrer em liberdade. A decisão, contudo, é de primeira instância e ainda pode ser contestada por meio de recurso.
A investigação teve início após a filha da mulher encontrar uma mensagem enviada pelo padrasto no celular dela. O conteúdo chamou a atenção da adolescente, que contou o que havia visto a familiares. O caso foi então comunicado às autoridades.
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, investigadores encontraram aproximadamente 230 gigabytes de material de abuso sexual infantil nos aparelhos eletrônicos dos acusados.
Segundo o TJGO, havia registros envolvendo diferentes vítimas, inclusive arquivos que documentavam crimes praticados pelo próprio casal.
Os dois foram presos em flagrante durante a operação e permaneceram detidos durante o andamento do processo.
Além das penas de prisão, a sentença determinou a perda do poder familiar do casal sobre os filhos.
A Justiça também estabeleceu indenizações às vítimas, com pagamento de R$ 30 mil para cada criança vítima dos crimes sexuais e R$ 10 mil para cada criança cujas imagens foram armazenadas.
As vítimas foram ouvidas por meio de depoimento especial, procedimento utilizado para reduzir os impactos da participação de crianças em processos judiciais.
Durante a instrução processual, também surgiram relatos sobre outras possíveis condutas criminosas, que deverão ser investigadas separadamente.
Folha do Estado




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