O júri popular de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o “Carlinhos Bezerra”, que estava marcado para acontecer nesta terça-feira (7), foi adiado pela Justiça para o dia 21 de julho de 2026, às 9h. A decisão atende a um pedido da defesa do réu, que alegou necessidade de analisar materiais produzidos durante a investigação. No mesmo despacho, assinado nesta segunda-feira (6), a 1ª Vara Criminal de Cuiabá determinou a derrubada integral do sigilo processual da ação penal que apura os assassinatos de Thays Machado e Willian Cesar Moreno.
O fim do segredo de Justiça foi solicitado pela promotora Élide Manzini de Campos, da 2ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, após o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) alinhar a medida com os familiares das vítimas. A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira destacou que a publicidade dos atos processuais é uma regra constitucional e que não há risco atual à intimidade de terceiros que justifique manter o processo oculto.
Com a abertura do caso, a magistrada autorizou a presença do público para assistir ao julgamento no plenário. No entanto, a cobertura jornalística terá restrições severas: equipes de emissoras de TV e de outros veículos de comunicação não poderão entrar com equipamentos no local, ficando a transmissão de vídeo limitada à assessoria de imprensa oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Também está proibida qualquer captação ou divulgação de imagens que identifiquem os jurados e o próprio réu.
Carlinhos Bezerra, que é filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, é réu confesso e permanece preso. Conforme a denúncia do MPMT, ele agiu com extrema crueldade e de forma premeditada, utilizando uma pistola semiautomática para emboscar o casal em plena luz do dia, em Cuiabá. O órgão acusa Carlinhos de feminicídio contra Thays, motivado pelo inconformismo com o fim do namoro em contexto de violência de gênero, e de homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa no caso de Willian.
O crime
A denúncia do Ministério Público aponta que as vítimas, Thays Machado, de 44 anos, e William César Moreno, de 30 anos, foram assassinadas a tiros no dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá.
As investigações policiais revelaram que o réu monitorou e perseguiu o casal desde o desembarque no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande.
O atentado aconteceu em via pública, no momento em que Thays deixava o prédio da mãe. William ainda tentou escapar dos disparos correndo pela calçada, mas foi baleado pelas costas.
Carlos Alberto foi capturado horas após o duplo homicídio em uma propriedade rural em Campo Verde e, atualmente, cumpre prisão preventiva na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, após ter o benefício do regime domiciliar cassado.
Repórter MT




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