26 outubro, segunda-feira, 2026
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Vitória de Lula provoca disparada do dólar e trava a Bolsa; veja as cotações

A Bolsa brasileira (B3) acionou o circuit breaker e paralisou as negociações logo na abertura, na manhã desta segunda-feira (26), primeiro pregão após a vitória do presidente Lula (PT) nas eleições. É a primeira vez que o mecanismo é acionado desde março de 2020, quando a turbulência provocada pelo início da pandemia levou a uma série de interrupções no mercado brasileiro.

A parada durou mais do que os 30 minutos previstos pela regra. No retorno, atingiu uma queda mais acentuada, de 15,9%, ameaçando um segundo acionamento. O limite para a segunda pausa é de 15%, mas foi flexibilizado para 20% por conta das expectativas estrangeiras.

Para Roberta Folgueral, diretora comercial de câmbio e operações da B&T XP, o mecanismo pode voltar a ser acionado ao longo do dia. Ela avalia que o mercado deve continuar em clima de incerteza, sem um sinal de recuperação nos indicadores ao menos até o final deste primeiro pregão.

“Há ainda um outro aspecto que aumenta a incerteza: as declarações do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, sobre uma possível contestação e anulação do resultado das eleições. Esse tipo de manifestação coloca em dúvida a credibilidade das instituições brasileiras e pode fazer com que o investidor estrangeiro enxergue o Brasil com ainda mais desconfiança”, completou.

Dólar sobe e ações caem

A reação negativa também aparece no câmbio. O dólar abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,42, ante o fechamento de R$ 4,99 na sexta-feira (23). Menos de uma hora depois da abertura, já chegou ao patamar de R$ 5,60. O Euro, por outro lado, opera perto da estabilidade, na faixa de R$ 5,56.

O movimento é oposto ao registrado após o primeiro turno. Na ocasião, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, o dólar caiu 4,12% no primeiro pregão após a votação e fechou a R$ 5,00.

A retomada das negociações veio acompanhada de fortes quedas entre as principais ações da Bolsa. Os papéis da Petrobras recuavam mais de 10%, enquanto os do Banco do Brasil despencavam mais de 30%. As ações do Magazine Luiza chegaram a cair mais de 50%. A própria B3 também sofreu forte desvalorização: os papéis B3SA3 recuavam 47,48%.

Entenda o mecanismo que interrompe o mercado financeiro no Brasil

O circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior, interrompendo os negócios por 30 minutos. Se, após a retomada, a perda alcançar 15%, a Bolsa para novamente por uma hora. Aos 20%, a B3 pode determinar uma nova suspensão e definir o período da paralisação.

O Ibovespa, por sua vez, é o principal índice da Bolsa brasileira e acompanha o desempenho de uma carteira formada pelas ações mais representativas negociadas na B3. Quando o índice sobe, significa que essa cesta de empresas se valorizou, em média; quando cai, indica perda de valor. Agora, com a queda desta carteira representativa, todo o mercado abrangido pela B3 para de funcionar.

O último circuit breaker da Bolsa brasileira havia ocorrido em 18 de março de 2020. Naquele mês, o mecanismo foi acionado seis vezes no país. A interrupção das negociações não ficou restrita ao Brasil: Estados Unidos e Canadá também acionaram circuit breakers durante a crise

Investidores estrangeiros já reagiam com pessimismo antes da abertura

O mercado futuro já havia sinalizado antes da abertura a intensidade da pressão sobre as ações brasileiras. O contrato futuro do Ibovespa atingiu inicialmente o limite de queda de 15%. Diante da forte volatilidade, a B3 ampliou esse limite para 20% e, antes da abertura do mercado à vista, o índice futuro chegou a recuar 19,7%, aos 167 mil pontos.

No exterior, o EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, chegou a despencar cerca de 26% no pré-mercado após a vitória de Lula. O movimento também contrasta com a reação ao primeiro turno, quando o fundo subiu cerca de 12,5% após a liderança de Flávio.

As ações de empresas brasileiras negociadas no exterior também sofrem. As ADRs do Itaú chegaram a cair mais de 26%, para pouco mais de US$ 7, no pré-mercado. As da Petrobras recuaram mais de 20%, para a faixa de US$ 20.

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