7 outubro, quarta-feira, 2026
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Casal paga R$ 154 mil por veículo e denuncia vendedor por golpe

Um casal denunciou ter sido vítima de um suposto golpe de R$ 154 mil aplicado por um vendedor durante a compra de um veículo novo em uma concessionária da GAC, do Grupo Canopus-Gemini Motors, em Várzea Grande.

Jamais imaginei que seria vítima de um golpe fazendo uma negociação dentro da concessionária

Segundo C.H.L.O., de 57 anos, o vendedor Douglas Alexandre de Paula Tonholo recebeu R$ 153.990 referentes à compra em uma conta vinculada a um CNPJ em seu nome e deixou de responder aos clientes antes da entrega do veículo.

O casal registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil no dia 4 de setembro de 2026. O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande.

Conforme o B.O., o casal pretendia comprar um GS4 Premium, da GAC, e deram R$ 1 mil de sinal à concessionária e, posteriormente, fizeram o pagamento de R$ 153.990 na conta indicada pelo vendedor, referente ao restante do valor do veículo.

De acordo com o relato da vítima, Douglas se apresentou durante toda a negociação como funcionário da concessionária e manteve contato por meio do mesmo número de WhatsApp utilizado desde o início da tratativa.

“É uma frustração muito grande. Eu procurei uma concessionária de um grupo que é dono de várias concessionárias no Estado, que eu já era cliente há oito anos, e jamais imaginei que seria vítima de um golpe fazendo uma negociação dentro da concessionária”, afirmou C.H.L.O.

A negociação teve início em 6 de julho e o veículo deveria ser entregue entre os dias 3 e 4 de setembro. A compra do GS4 Premium seria na modalidade destinada a pessoas com deficiência (PCD), já que a esposa dele, R.M.C.H.L.O., de 54 anos, é PCD.

De acordo com a vítima, um amigo indicou o vendedor após ter comprado o seu veículo com ele. O aposentado disse ter entregado a Douglas todos os documentos solicitados, como habilitação, autorização da Receita Federal e laudo de deficiência. Na ocasião, também foi pago o sinal de R$ 1 mil por Pix diretamente para a conta da concessionária.

Reprodução

O GAC GS4, carro similar ao que as vítimas pretendiam adquirir

“Ele falou que ia fazer a ordem de compra e, quando o veículo fosse faturado, nos ligaria para efetuar o pagamento do valor do veículo”, contou o aposentado.

Durante os dias que se passaram, as vítimas mantiveram contato com o vendedor, que afirmava atualizá-las sobre o andamento do pedido do veículo. 

Pagamento de R$ 153 mil

Cerca de 30 dias depois do início da negociação, em 18 de agosto, Douglas informou ao casal que o veículo havia sido faturado e que era necessário realizar o pagamento. Como o casal estava viajando, não foram pessoalmente à concessionária. 

“Em 18/08/2026 o suspeito entrou em contato com a vítima e disse que o carro havia sido faturado e teria de ser feito o pagamento; ele mandou um contrato de prestação de serviços de intermediação de venda de veículo, assinado via gov.br e devolveu ao suspeito; no mesmo dia fez o Pix de R$ 153.990,00 em conta cnpj no nome do suspeito douglas”, diz trecho do boletim de ocorrência.

Ele afirmou que chegou a confirmar com Douglas se aquela era realmente a conta correta antes de fazer a transferência.

“Nós fizemos o depósito. Apareceu o nome do vendedor. Eu ainda confirmei para saber se a conta era aquela mesmo. Ele confirmou: ‘Ah, não, a conta é essa mesmo’. Aí eu efetuei o depósito. Fiz um Pix para a conta do CNPJ que ele mandou”, relatou.

Depois do pagamento, Douglas continuou mantendo contato com o casal. Ele dizia que o carro havia sido embarcado em São Paulo e que chegaria a Várzea Grande entre os dias 3 e 4 de setembro.

Nós fizemos o depósito. Apareceu o nome do vendedor. Eu ainda confirmei para saber se a conta era aquela mesmo. Ele confirmou

O vendedor chegou a marcar encontros com os dois na concessionária, mas, segundo a vítima, desmarcou os compromissos alegando que estava realizando “vendas externas”.

Até que, no dia 4 de setembro, Douglas informou que estaria na loja às 16 horas e combinou de encontrar o casal para a entrega do veículo. Pouco antes, às 13h53, o vendedor enviou uma mensagem dizendo que estava a caminho da concessionária.

Quando chegaram ao local, porém, o casal descobriu que Douglas não estava mais trabalhando na empresa.

“Quando nós chegamos lá e procuramos por ele, nós tivemos a informação de que ele não estava na empresa. Que ele tinha tirado férias e não tinha retornado. Nós tomamos um susto, porque era o dia que iríamos receber o carro”, contou a vítima.

Ele ligou para o vendedor e o confrontou. Após a ligação, segundo a vítima, o vendedor desligou o telefone e deixou de responder às mensagens. 

“Foi o momento que a gente descobriu que tinha sido vítima do golpe”, disse.

Sem pedido do veículo

O casal foi atendido pelo gerente regional da GAC, Leandro Richard Bittencourt, que verificou a situação e, segundo o depoimento prestado à Polícia Civil em 14 de setembro, não encontrou nenhum pedido de compra do veículo no sistema da concessionária ou da montadora.

No depoimento, Bittencourt afirmou que o único pagamento identificado pela empresa foi o sinal de R$ 1 mil, depositado diretamente na conta da concessionária em 6 de julho.

Segundo o gerente, conforme o procedimento da empresa, pagamentos referentes à compra de veículos deveriam ser feitos diretamente para o CNPJ da concessionária.

Ainda segundo o gerente, a concessionária não autoriza contratos de representação entre vendedores e clientes. 

Bittencourt também relatou à Polícia Civil que tinha conhecimento “superficial” de outras reclamações financeiras envolvendo Douglas e citou ao menos duas situações envolvendo outros clientes, uma delas resolvida pela entrega de um veículo seminovo de test-drive.

Segundo o gerente, Douglas foi contratado em 2025, na inauguração da concessionária em Várzea Grande. O último contato da equipe com o vendedor ocorreu quando ele entrou de férias, em julho, com retorno formalmente previsto para agosto. 

À época do depoimento, a loja contava com cinco vendedores, incluindo Douglas. O gerente afirmou que o funcionário provavelmente seria desligado por justa causa em razão de abandono de emprego. 

A Polícia Civil solicitou à empresa documentos relacionados ao vendedor, incluindo contrato de trabalho, telegramas enviados para que ele comparecesse à concessionária, manual de conduta e registros do sistema CRM referentes a outros clientes.

Medidas judiciais

Além da investigação policial, o casal afirmou ter procurado o Procon, registrou reclamação no site Reclame Aqui e ingressou com uma ação na Justiça contra a empresa.

O processo tramita na 4ª Vara Cível de Cuiabá e, segundo ele, está em fase inicial. O casal pede a entrega do veículo e, caso isso não ocorra, a restituição do valor pago, com correção, além de indenização por danos morais.

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