25 setembro, sexta-feira, 2026
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“Angeliquinha” é entregue à PF em Corumbá e será recambiada para MT

A Polícia Civil confirmou que Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, foi entregue à Polícia Federal em Corumbá (MS) e será recambiada para Mato Grosso para o cumprimento das ordens judiciais contra ela.

Apontada como uma das líderes de uma facção criminosa no extremo norte do Estado, Angeliquinha foi presa na terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após mais de um ano foragida.

Segundo a Polícia Civil, a transferência para Mato Grosso ocorrerá após deliberações do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso.

Angeliquinha estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.  A criminosa acumula mais de 260 anos em condenações por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.

Durante a prisão, ela apresentou um documento brasileiro falso e, segundo a Polícia Civil, havia realizado procedimentos estéticos para modificar a aparência.

Conforme as investigações, Angeliquinha exercia influência sobre atividades criminosas na região de Alta Floresta, incluindo tráfico de drogas, extorsões e exploração de atividades ilícitas em áreas de garimpo.

A localização dela na Bolívia foi resultado do trabalho de investigação e da troca de informações entre as forças de segurança dos dois países. A ação envolveu a Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) e da Gerência Estadual de Polinter (Gepol), além da Polícia Boliviana.

Operação Showdown

Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para desarticular o núcleo familiar ligado a Angeliquinha. Segundo a investigação, parentes davam suporte às atividades criminosas e auxiliavam na lavagem do dinheiro obtido pela facção.

A operação cumpriu 31 ordens judiciais, entre elas quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas.

As medidas foram determinadas pela 5ª Vara Criminal de Sinop com base em investigação conduzida pela GCCO/Draco e pela Delegacia de Alta Floresta.

Entre os alvos estavam o pai, a filha e o genro de Angeliquinha, apontados como integrantes do núcleo familiar que auxiliava o grupo criminoso e atuava na movimentação de recursos de origem ilícita.

A investigação identificou movimentações superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, montante considerado incompatível com a renda declarada pelos investigados. Conforme a Polícia Civil, empresas e outros negócios eram utilizados para dar aparência de legalidade ao dinheiro proveniente de atividades criminosas.

O grupo também é investigado por envolvimento na exploração de garimpo irregular nas regiões de Alta Floresta e Nova Bandeirantes. Segundo a apuração, a atividade estaria relacionada a outros crimes, como extorsão e tráfico de drogas.

Repórter MT

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