26 agosto, quarta-feira, 2026
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Prefeitura de Campo Verde recebe ponte de R$ 3,8 milhões sem estrada; TCE apura possíveis irregularidades

A gestão do prefeito Alexandre Lopes recebeu definitivamente uma ponte de R$ 3,8 milhões sobre o Rio Cumbuco, em Campo Verde, sem que a ligação rodoviária estivesse concluída. Posteriormente, a Prefeitura contratou mais R$ 1,69 milhão para executar somente 890 metros de encabeçamento e acesso até a travessia.

A nova obra, porém, não contempla a continuidade da estrada depois da ponte nem entrega a ligação anunciada pelo próprio prefeito entre a MT-244, em Campo Verde, e a MT-130, em Paranatinga.

Nas bases oficiais consultadas pela reportagem, não foi localizado contrato para construir o restante da rodovia prometida, estimada anteriormente em aproximadamente 90 quilômetros.

A estrutura virou alvo de apuração do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Em vídeo divulgado nesta terça-feira (25), o presidente do Tribunal, conselheiro Sérgio Ricardo, classificou a obra como uma “ponte que liga nada a lugar nenhum”.

Segundo o presidente do TCE, a denúncia chegou ao órgão acompanhada de imagens aéreas e será analisada pela equipe técnica.

A responsabilidade administrativa pela contratação e pelo recebimento da obra é da Prefeitura de Campo Verde, comandada por Alexandre Lopes.

Portal da Transparência municipal informa que o Contrato nº 068/2023 foi encerrado em 24 de junho de 2025 e que a ponte foi considerada “concluída e recebida definitivamente”.

O contrato começou em R$ 3.115.615,33, mas recebeu R$ 920.866,47 em acréscimos e R$ 188.850,41 em supressões. Ao final, o custo declarado pela Prefeitura chegou a R$ 3.847.631,39.

A estrutura tem 40,71 metros de extensão e 8,80 metros de largura.

Apesar de ter recebido definitivamente a ponte em junho de 2025, a administração de Alexandre Lopes abriu somente em março de 2026 uma nova concorrência para executar o encabeçamento e construir o acesso até a estrutura.

edital da Concorrência nº 002/2026 estabelece expressamente que a intervenção compreende o trecho entre o entroncamento com a MT-244 e a travessia do Rio Cumbuco, com extensão aproximada de apenas 890 metros.

O objeto contratado termina, portanto, na própria travessia. O edital não prevê a construção da continuidade rodoviária depois da ponte em direção à MT-130, em Paranatinga.

Em julho, a Prefeitura assinou o Contrato nº 083/2026 com a ACL Construtora Ltda. por R$ 1.692.915,58. A vigência vai de julho de 2026 a julho de 2027, embora o edital estime prazo de 90 dias para a execução após a emissão da ordem de serviço.

Somados os dois contratos, ponte e encabeçamento, chegam a R$ 5.540.546,97.

A ponte já havia causado polêmica em agosto de 2025, quando o deputado estadual Gilberto Cattani divulgou imagens da estrutura isolada.

Na ocasião, Alexandre Lopes rebateu as críticas e afirmou que a ponte integraria um projeto maior de abertura de uma estrada de aproximadamente 90 quilômetros entre a MT-244, em Campo Verde, e a MT-130, em Paranatinga.

O prefeito sustentou que a ligação seria importante para o escoamento da produção agrícola e para o futuro terminal ferroviário da região.

Os documentos localizados, entretanto, demonstram que a ponte foi recebida definitivamente antes da contratação do encabeçamento e que o segundo contrato não contempla a rodovia completa anunciada pelo prefeito.

A análise do TCE deverá verificar o planejamento das etapas, os pagamentos, os aditivos e as razões pelas quais a Prefeitura recebeu definitivamente a ponte antes de garantir uma ligação rodoviária capaz de dar continuidade à travessia.

O Tribunal também poderá apurar por que, depois de mais de R$ 5,5 milhões em contratos, ainda não há obra contratada que assegure a conexão completa prometida pela gestão municipal.

Repórter MT

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