O conceito de ser pai passou por profundas transformações ao longo das últimas décadas. Se antigamente a função paterna estava estritamente ligada ao papel de provedor financeiro, hoje a exigência foca na presença e na construção de vínculos afetivos. Em entrevista ao RepórterMT, o psicólogo Afro Stefanini analisou essa evolução histórica e fez um alerta sobre os perigos do distanciamento emocional na atualidade.
“Esse pai está sendo chamado a prestar atenção em como esse filho, esse silencioso filho, está vivendo a sua vida interior. Porque o que na verdade hoje a tecnologia também favorece o nosso lugar de ficar calado, o silêncio, ficar ali imerso na tecnologia (…) às vezes trancados no quarto, silenciados“, pontuou.
O psicólogo reforça que o sustento material já não preenche os requisitos da paternidade contemporânea.
“Hoje ser pai é cada vez mais diferente do que ter filho. Antigamente parecia a mesma coisa, né? Ser pai é ter filho. Hoje está completamente distinto. Existem muitos homens que têm filhos, mas não são pais”.
Como caminho para reverter o distanciamento ou fortalecer os laços criados, Stefanini aponta o diálogo como a principal ferramenta disponível para as famílias. É por meio da conversa que o jovem compreende o quanto é importante para a figura paterna e como as dinâmicas familiares afetam o lado emocional de ambos.
“Quando nós saímos do pedestal do dono do saber e vamos ao encontro do nosso filho para dizer para ele: ‘Eu não tenho todas as respostas, mas de você não abro mão’, aí o filho fala: ‘Nossa, ele se importa comigo. Ele tem algo ali que ele não sabe fazer, mas para mim ele se importa comigo’. Isso é fundamental”.
RepórterMT




OUÇA A RÁDIO NAZARENO