Venezuelanos que vivem em Mato Grosso relataram que estão enfrentando horas de angústia desde que dois fortes terremotos atingiram a Venezuela e deixaram 188 mortos e mais de 10 mil desaparecidos, na noite de quarta-feira (24).
O g1 visitou a Pastoral do Migrante nesta quinta-feira (25) e falou com venezuelanos que perderam contato com familiares. Sem conseguir contato com parentes que vivem nas áreas mais afetadas, como Caracas e El Guayabo, eles afirmaram que acompanham as notícias à distância.
Em Cuiabá, a venezuelana Diana Carolina Salazar, de 40 anos, procurou a Pastoral nesta quinta para resolver a documentação do filho. Ela contou que ainda não conseguiu falar com uma sobrinha que mora em Caracas, capital do país.
“Acordamos hoje com a notícia de que a Venezuela está passando por um momento difícil. Minha sobrinha está lá, e eu espero que ela esteja bem. Ainda não consegui falar com ela. Vou tentar entrar em contato mais tarde novamente. Se Deus quiser, tudo ficará bem e isso logo vai passar”, disse emocionada.
Segundo Diana, a falta de informações aumenta a preocupação entre os venezuelanos que vivem longe de casa.
“É terrível, pois muitas pessoas morreram e outras ficaram feridas. Não sabemos se isso pode acontecer novamente […] estamos todos muito preocupados e passando por dificuldades devido à situação do nosso país”, ressaltou.
A situação também preocupa a venezuelana Suanny Galvan, que chegou ao Brasil em 2021 com o marido e os três filhos. Atualmente voluntária na Pastoral do Migrante, ela perdeu o contato com os sogros e outros familiares que vivem na mesma região.
“Não sei nada da minha família. Eles moram na cidade que foi mais afetada. Só consigo acompanhar pelas notícias. Estou muito preocupada”, relatou.
De acordo com Suanny, as poucas informações que chegaram até ela indicam um cenário de destruição.
“Só me falaram que o bairro onde eles moram foi tudo destruído. Minha cunhada e meus sogros, que são idosos, estão lá. Estou muito agoniada, não consigo nem pensar direito”, disse.
Os terremotos tiveram magnitude 7,2 e 7,5 e atingiram a Venezuela durante a noite, com menos de um minuto de diferença entre eles. Os tremores provocaram pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes e foram sentidos inclusive em cidades do Norte do Brasil.
Os abalos causaram o desabamento de prédios e casas em Caracas e em outras cidades venezuelanas. Até a última atualização desta reportagem foram confirmadas 188 pessoas mortas, além de centenas de feridos, segundo a presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez,
As autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar, já que equipes de resgate continuam as buscas por sobreviventes sob os escombros. Mais de 500 equipes de emergência atuam nas áreas atingidas nesta quinta-feira (25).
g1-MT




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