O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), fez um apelo direto para que mulheres em situação de violência doméstica denunciem seus agressores antes que seja tarde e alertou para que não depositem falsa confiança na fachada religiosa de seus parceiros. “Não se amarre em qualquer questão religiosa. ‘Ah, ele é da igreja’. O cara que matou a filha da mulher lá era da igreja, era coroinha”, em referência ao caso Heloysa Maria de Alencastro Souza, 16, assassinada pelo padrasto, Benedito Anunciação de Santana, na época com 40 anos.
“Então, assim, não caia nessa conversa de que o cara tem um papel bonito na igreja, que ele é um cara que vai mudar de comportamento em casa”, disparou o gestor em coletiva de imprensa na sexta-feira (05).
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Brunini ponderou sobre os limites da atuação municipal na segurança pública, destacando que as investigações cabem à Polícia Civil e as ações ostensivas relacionadas à Lei Maria da Penha ficam a cargo da Polícia Militar. “A Prefeitura de Cuiabá praticamente não entra nesse assunto de segurança pública”, admitiu.
Apesar disso, detalhou que o município atua na retaguarda do acolhimento por meio da Secretaria da Mulher, oferecendo apoio psicológico, tratamento, aconselhamento e acompanhamento tanto da vítima quanto de seus familiares. Além disso, a gestão busca realizar ações preventivas, como o oferecimento de aulas de defesa pessoal e medidas preventivas, em parceria com o governo do estado, para instalar botões de pânico nas unidades de saúde do município, dispositivo que permite o acionamento rápido da polícia em situações de emergência.
Contudo, ele próprio reconheceu que a dificuldade central desse enfrentamento se deve ao fato de a maioria das agressões ocorrerem dentro do ambiente doméstico, longe do alcance imediato do poder público.
“Infelizmente, a maioria desses casos acontece dentro de casa e a gente só vai saber depois de ele acontecer. E essas medidas acabam sendo um pouco mais difíceis de serem tomadas”, lamentou.
Foi nesse contexto que Brunini transformou o tom do discurso em um aconselhamento, pedindo que as vítimas não alimentem a ilusão de que o agressor mudará seu comportamento.
“Denuncie, não fique guardando para você, achando que a pessoa que te agride dentro de casa vai mudar de comportamento e vai ser uma pessoa melhor amanhã. Se ele agride você em casa, denuncie, chame a polícia, vá até algum órgão. Se você está com alguma dificuldade, eles vão até você. A Polícia Militar vai até você, a Polícia Civil também está de portas abertas para receber. Não fique esperando ser a vítima de feminicídio. Vá denunciar e enfrente esse problema”, concluiu.
Gazetadigital




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