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Lula diz estar “triste” após EUA classificarem PCC e CV como terroristas

Sexta-feira, 29 de Maio de 2026, 14:41

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que ficou “triste” com a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais.

Para Lula, apesar do histórico de execuções, tráfico internacional, domínio territorial, ataques armados e lavagem bilionária de dinheiro, as facções não deveriam receber o rótulo de terrorismo. ““Hoje eu estou muito triste. Fiquei triste com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que nossos criminosos são terroristas e que os americanos poderiam fazer intervenção aqui”, declarou o presidente.

O petista também reforçou que, na visão do governo brasileiro, terrorismo possui uma definição específica. “No Brasil, terrorismo tem uma conceituação. E eu acho que o que essas facções fazem é banditismo, tráfico de drogas, contrabando de armas e lavagem de dinheiro”, afirmou. Como se o currículo criminal das organizações ainda precisasse de uma categoria mais grave para preocupar autoridades internacionais.

A decisão do governo Donald Trump entra em vigor no próximo dia 5 de junho e coloca PCC e CV na lista de “terroristas globais especialmente designados”. Para os americanos, as facções brasileiras já ultrapassaram há muito tempo a fronteira do “crime comum”, atuando em diversos países da América Latina com tráfico internacional, assassinatos, corrupção e lavagem de dinheiro.

Lula também aproveitou para defender a soberania brasileira e alertar contra possíveis interferências externas. “O Brasil é um país soberano e sabe cuidar dos seus problemas”, disse o presidente. A declaração ocorre justamente em meio ao avanço das facções pelo território nacional, com influência crescente em presídios, fronteiras e até na política local em diversas regiões do país.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a classificação pode abrir margem para pressões diplomáticas e ações internacionais sob justificativa de combate ao terrorismo. O assessor especial Celso Amorim afirmou que o Brasil não aceitará qualquer “pretexto para intervenção”.

Segundo informações divulgadas nos últimos dias, o governo Lula trabalhou nos bastidores para tentar impedir a medida americana. O chanceler Mauro Vieira conversou diretamente com autoridades dos EUA, enquanto Lula teria entregue pessoalmente ao presidente Donald Trump um documento defendendo que PCC e CV fossem tratados apenas como organizações criminosas.

A oposição reagiu rapidamente. Parlamentares e governadores elogiaram a decisão dos EUA e cobraram uma postura mais dura do governo federal contra as facções. Para críticos do Planalto, a preocupação excessiva com a nomenclatura usada pelos americanos acaba desviando o foco do crescimento do crime organizado no país.

Com a nova classificação, os Estados Unidos poderão ampliar sanções financeiras, bloquear ativos, restringir operações internacionais e intensificar ações de inteligência contra integrantes e financiadores das facções brasileiras.

Folha do estado

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