11 agosto, terça-feira, 2026
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Advogada é sepultada 11 meses após morte e família ainda contesta versão de suicídio em Cuiabá

A advogada Viviane de Souza Fidélis, de 30 anos, foi finalmente sepultada na última quarta-feira (5), quase 11 meses após ser encontrada morta dentro do próprio apartamento, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, em setembro de 2025. O corpo permaneceu sob custódia da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) durante meses para a realização de novos exames, enquanto a família continuava questionando a versão de que ela teria tirado a própria vida.

“Hoje, nós enterramos Viviane, mas não a verdade, não a justiça, não a responsabilidade. Viviane de Souza Fidélis, presente”, disse o irmão da advogada, Júnior Fidélis, em um vídeo publicado nas redes sociais.

Na gravação, publicada na página do Instagram “Caso Viviane Fidélis”, o rapaz classificou a irmã como vítima de falhas na apuração, entre elas, corrupção institucional, irresponsabilidade pericial, “vítima de uma polícia incompetente”, “vítima de um MP (Ministério Público) conivente” e “vítima de um Estado onde a corrupção é procedimento”. Entre os principais questionamentos apresentados por ele e pelos demais familiares da advogada estão a preservação da cena, a posição em que o corpo teria sido encontrado e a atuação do ex-namorado.

“O tempo, a corrupção, as falhas e as omissões institucionais também nos roubaram essa última despedida. Viviane morreu em circunstâncias até hoje não esclarecidas e, depois de morta, foi vítima da Politec, da Polícia Civil e também do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, que, ao invés de respostas, entregaram truculência, contradições, omissões criminosas e um arquivamento”, afirmou Júnior.

Viviane foi encontrada morta na noite de 17 de setembro de 2025, dentro do banheiro do apartamento onde morava, no Residencial Acácia. O corpo estava com um cinto amarrado ao pescoço e preso a um acessório do local. Na ocasião, o caso foi inicialmente tratado pela Polícia Civil como suicídio. Porém, diante dos questionamentos apresentados pela família, a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) instaurou um inquérito e passou a tratar a ocorrência como “morte a esclarecer”.

Em maio deste ano, a DHPP concluiu o inquérito e manteve o entendimento de que Viviane tirou a própria vida. Segundo a Polícia Civil, foram realizadas oitivas, perícias no local, levantamentos complementares, análise do celular da advogada e outras diligências. A investigação, de acordo com a corporação, não encontrou elementos que comprovassem a participação de terceiros. Os autos foram encaminhados ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) no dia 4 de maio para análise e eventual manifestação pelo arquivamento.

Mesmo após a conclusão do inquérito, a família continuou levantando uma série de dúvidas sobre a dinâmica da morte e a preservação da cena, incluindo a atuação do ex-namorado de Viviane. Segundo os parentes, ele teria entrado no apartamento após o corpo ser localizado e alterado a posição da vítima. Os familiares também questionaram o primeiro trabalho pericial e pediram uma investigação mais aprofundada.

Diante das contestações, o MPMT solicitou uma nova necropsia. O segundo exame, realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), foi considerado inconclusivo e classificado como “morte violenta a esclarecer”, não sendo possível determinar se a morte ocorreu por suicídio ou homicídio. Ainda assim, a Polícia Civil manteve o entendimento final apresentado no primeiro inquérito.

Repórter MT

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