Aos 307 anos, Cuiabá se vê em meio ao desafio de superar problemas acumulados nos últimos anos e retomar seu protagonismo no Estado. O prefeito Abilio Brunini (PL) disse que a Capital ainda carrega “cicatrizes”, mas que a administração tem focado na reconstrução e avanço da cidade.
“Ainda temos as cicatrizes, temos as sequelas de tudo que passou dentro do município. Mas se a gente ficar só olhando no retrovisor, não consegue olhar o que vem pela frente”, afirmou ele em entrevista ao MidiaNews.
“Por isso estamos olhando para frente, olhando como levar Cuiabá adiante”, acrescentou.
A fala sintetiza o momento vivido pela cidade. Cuiabá foi marcada por uma sequência de problemas que vão desde operações policiais e investigações na gestão anterior, passando por uma crise profunda na Saúde, que chegou a sofrer intervenção estadual, até dificuldades fiscais, precarização de serviços urbanos e impasses históricos na mobilidade.
Recuperação do protagonismo
Enquanto a Capital vivia esse cenário de desgaste institucional, outros municípios como Rondonópolis, Sinop, avançaram no desenvolvimento, principalmente ligado ao agronegócio.
Abilio disse acreditar que o desafio agora é romper com esse ciclo sem ficar preso a ele. Essa tentativa de virada passa, segundo o prefeito, pela recuperação do protagonismo e da autoestima dos cuiabanos.
“Cuiabá é a cidade mais animada de Mato Grosso. A vida noturna em Cuiabá é muito agitada, as pessoas do interior todo procuram vir para o município”, afirmou.
“Não podemos perder esse protagonismo, Cuiabá não pode ser apenas a cidade do servidor público, do serviço público, é a cidade que atende 19% do servidor público, mas também atende, principalmente, rede de serviços na área de Educação, na área de Saúde, de turismo de negócios, de turismo de entretenimento e ecoturismo”, disse.
Nesse contexto, o prefeito apostou no fortalecimento do turismo e das atividades culturais como motores de desenvolvimento para a cidade.
“Cada vez que tem uma festividade forte como o aniversário, lota-se a rede hoteleira, bares e restaurantes. O município arrecada e isso gera retorno importante.”
“Capitais do Brasil que tratam sua cidade como cidades turistícas, acabaram investindo nisso e tiveram um retorno muito grande. Cuiabá tem esse mesmo potencial e vamos fazer esse investimento”, disse.
Desafios da gestão
Apesar de focar no futuro, o cotidiano da gestão ainda é fortemente impactado por problemas estruturais herdados das administrações anteriores. A infraestrutura urbana, por exemplo, segue como uma das principais demandas da população.
O crescimento acelerado de Cuiabá nas últimas décadas também ocorreu de forma desordenada, com a expansão de bairros sem o devido planejamento urbano e, em muitos casos, fora das áreas regulares de ocupação.
Esse avanço criou uma cidade com vazios de infraestrutura, dificultando a oferta de serviços básicos, como a pavimentação.
Abilio afirmou que a Prefeitura tem intensificado ações de tapa-buracos e limpeza, especialmente com a redução dos períodos de chuvas. Segundo ele, o uso de tecnologia, com o aplicativo “Cuiabá Smart”, tem ajudado a monitorar as ruas ainda precarizadas.
Na Saúde, área que simbolizou o auge da crise recente, o cenário ainda exige atenção constante. “A Saúde é um desafio permanente, mas a gente tem conseguido fazer algumas mudanças”, afirmou.
Ele citou como avanço a entrega do Centro Médico Infantil, que considera como um dos marcos da gestão até aqui. Porém, mesmo com melhorias, o prefeito reconheceu a pressão sobre o sistema.
“As UPAs estão cheias, mas os hospitais privados também estão. A demanda aumentou para todo mundo.”
Outro ponto destacado é o saneamento básico. Apesar de avanços anteriores que transforam as redes de água e esgoto de Cuiabá na década passada, Abilio afirmou que ainda há uma defasagem na cobertura real.
“Os dados antigos consideram um mapa desatualizado. Hoje, temos muitas áreas fora da cobertura e precisamos avançar”, disse, mencionando a revisão contratual em andamento para ampliar o abastecimento de água e o tratamento de esgoto.
Polarização
No campo político, a gestão também enfrenta um ambiente polarizado, que, segundo o prefeito, influencia diretamente a forma como a população avalia a administração. “No caso do Abilio é ou ama ou odeia. Não existe meio termo”.
Ainda assim, ele acredita que parte da população reconhece avanços recentes após a mudança na gestão do município.
“Quem tem mais liberdade de pensamento consegue ver melhorias como transporte público aos domingos, novos ônibus e investimentos na cidade.”
“Quem gosta do que a gente está fazendo, nos apoia. E quem nos odeia, não importa o que eu faça. Posso ser o melhor prefeito da história de Cuiabá, quem me odeia por motivos ideológicos, vai continuar me odiando de todo jeito, afirmou.
“Essa questão contaminada, por causa dessa polarização política da questão ideológica, acaba comprometendo uma parcela da população a reconhecer os trabalhos que a gente conseguiu fazer e os avanços que a gente trouxe no nosso município”, completou.
Cultura, identidade e o futuro da Capital
Entre as cicatrizes ainda presentes e as expectativas de avanço, Cuiabá chega aos 307 anos desafiada a transformar as marcas do passado em aprendizado e o presente em ponto de partida para um futuro mais estruturado e protagonista.
Apesar dos percalços, Cuiabá também reafirma sua identidade cultural como elemento central de sua história e de seu futuro. Para Abilio, esse patrimônio imaterial é parte fundamental da construção de um novo ciclo de desenvolvimento na Capital.
“Cuiabá é a cidade da Dona Eulália, é a cidade de Dante de Oliveira, de Rubens Mendonça, de Póvoas também […] e de todas e tantas outras pessoas que por aqui passaram. Essa cidade tem muito o que comemorar”, afirmou.
“Cuiabá não é só a gestão da prefeitura. Cuiabá é toda a nossa tradição, a nossa história, nossos parques, nossos bairros, nossas praças, nossa vida, é arte. Então, gostaria muito que você comemorasse os 307 anos de crescimento da cidade, que cresce em torno de 15 a 20% ao ano, uma das cidades que está em pleno desenvolvimento”, completou.
Midianews




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