{"id":5167,"date":"2024-12-04T10:00:02","date_gmt":"2024-12-04T14:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/?p=5167"},"modified":"2024-12-04T14:53:22","modified_gmt":"2024-12-04T18:53:22","slug":"metade-dos-alunos-brasileiros-de-9-anos-nao-sabe-resolver-tabuada-ou-contas-como-100-210-mostra-estudo-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/index.php\/2024\/12\/04\/metade-dos-alunos-brasileiros-de-9-anos-nao-sabe-resolver-tabuada-ou-contas-como-100-210-mostra-estudo-internacional\/","title":{"rendered":"Metade dos alunos brasileiros de 9 anos n\u00e3o sabe resolver tabuada ou contas como \u2018100 + 210\u2019, mostra estudo internacional"},"content":{"rendered":"\n<p>No Brasil,<strong>&nbsp;51% das crian\u00e7as do 4\u00ba ano do ensino fundamental n\u00e3o dominam habilidades b\u00e1sicas de matem\u00e1tica,<\/strong>&nbsp;como fazer tabuada, interpretar gr\u00e1ficos simples ou somar e subtrair n\u00fameros de tr\u00eas algarismos (200 &#8211; 150 ou 300 + 120, por exemplo). Elas sequer alcan\u00e7am o n\u00edvel de conhecimento considerado &#8220;baixo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que mostram os resultados do Estudo Internacional de Tend\u00eancias em Matem\u00e1tica e Ci\u00eancias (Timss, em ingl\u00eas), divulgados nesta quarta-feira (4) pela Associa\u00e7\u00e3o Internacional para a Avalia\u00e7\u00e3o do Desempenho Educacional (IEA). As provas s\u00e3o aplicadas a cada 4 anos, desde 1995 \u2014 mas\u00a0<strong>esta \u00e9 a primeira participa\u00e7\u00e3o brasileira no exame.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na escala do Timss, a m\u00e9dia do Brasil em matem\u00e1tica, entre os alunos de 9 anos, foi de 400 pontos, \u00e0 frente apenas de tr\u00eas dos 64 pa\u00edses participantes: Marrocos, Kuwait e \u00c1frica do Sul. Em compara\u00e7\u00e3o ao resultado geral das demais na\u00e7\u00f5es nessa etapa (503 pontos),\u00a0\u00e9 como se estiv\u00e9ssemos tr\u00eas anos escolares atr\u00e1s delas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cS\u00e3o crian\u00e7as de 9 anos: \u00e9 muito cedo para estarmos t\u00e3o atrasados. Nosso desempenho ficou pr\u00f3ximo ao de pa\u00edses africanos com PIB menor do que o nosso\u201d, afirma Ernesto Martins Faria, especialista em avalia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas educacionais e diretor-executivo do Iede.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os participantes brasileiros do 4\u00ba ano, os 5% que tiveram pior rendimento atingiram, no m\u00e1ximo, 259 pontos.&nbsp;<strong>\u201cIsso significa que eles basicamente n\u00e3o reagiram \u00e0 prova. N\u00e3o sabiam responder, porque era muito dif\u00edcil para eles\u201d, explica Faria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele ressalta que o n\u00edvel de dificuldade do Timss \u00e9 superior ao da principal prova brasileira para crian\u00e7as dessa idade \u2014 o Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2024\/08\/14\/em-20percent-dos-municipios-do-brasil-alunos-do-5o-ano-da-rede-publica-nao-sabem-somar-moedas-de-r-050-ou-converter-1-hora-em-minutos.ghtml\">\u00a0(Saeb), no qual nosso desempenho j\u00e1 \u00e9 preocupante<\/a>. \u201cPrecisamos subir a r\u00e9gua. A nossa est\u00e1 muito baixa, e as redes de ensino costumam se guiar pelo que \u00e9 cobrado nessas avalia\u00e7\u00f5es. O ideal seria ter uma mistura nacional entre o b\u00e1sico, que j\u00e1 \u00e9 medido pelo Saeb, e o mais complexo, exigido pelo Timms.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">No 8\u00ba ano, 62% n\u00e3o sabem calcular o lado de um quadrado<\/h2>\n\n\n\n<p>O Timss tamb\u00e9m avalia o conhecimento de alunos do 8\u00ba ano (idade m\u00e9dia de 13 anos). A tend\u00eancia \u00e9 a mesma<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2024\/02\/17\/entre-os-alunos-mais-pobres-so-3percent-tem-conhecimentos-adequados-de-matematica-no-brasil-mostra-pisa.ghtml\">&nbsp;j\u00e1 revelada pelo Pisa,<\/a>&nbsp;prova internacional que foca na faixa et\u00e1ria dos 15 anos:&nbsp;<strong>o Brasil est\u00e1 atrasad\u00edssimo em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 esperado para o ensino fundamental II.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 60% dos jovens daqui n\u00e3o conseguiram chegar nem ao patamar considerado o mais baixo na escala geral. Isso significa que eles:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>n\u00e3o sabem lidar com<strong>\u00a0formas b\u00e1sicas (como c\u00edrculo e quadrado)\u00a0<\/strong>e suas representa\u00e7\u00f5es visuais;<\/li>\n\n\n\n<li>n\u00e3o entendem<strong>\u00a0rela\u00e7\u00f5es lineares de propor\u00e7\u00e3o<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li>n\u00e3o conseguem determinar\u00a0<strong>o lado de um pol\u00edgono<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li>n\u00e3o s\u00e3o capazes de interpretar<strong>\u00a0informa\u00e7\u00f5es em gr\u00e1ficos.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Com m\u00e9dia de 378 pontos, o Brasil ficou \u00e0 frente apenas do Marrocos.\u00a0<\/strong>Foi ultrapassado por na\u00e7\u00f5es como Ir\u00e3, Uzbequist\u00e3o, Chile, Mal\u00e1sia, Ar\u00e1bia Saudita, \u00c1frica do Sul e Jord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os 5% de brasileiros com pior nota, o rendimento mais alto foi de 243 pontos. S\u00e3o casos em que os jovens basicamente n\u00e3o souberam responder a nada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E em ci\u00eancias?<\/h2>\n\n\n\n<p>O desempenho dos brasileiros em ci\u00eancias, apesar de insatisfat\u00f3rio, foi melhor do que em matem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li><strong>4\u00ba ano:\u00a0<\/strong>39% n\u00e3o dominam conhecimentos b\u00e1sicos, como saber informa\u00e7\u00f5es simples sobre plantas, animais e meio ambiente.\u00a0O rendimento m\u00e9dio foi de 425 pontos, entre o patamar baixo e o intermedi\u00e1rio.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>8\u00ba ano:\u00a0<\/strong>42% n\u00e3o conseguiram responder a perguntas sobre c\u00e9lulas, tecidos e \u00f3rg\u00e3os, e tamb\u00e9m n\u00e3o souberam distinguir uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de uma f\u00edsica.\u00a0Afirma\u00e7\u00f5es como \u201co sol prov\u00ea luz e calor\u201d ou \u201ch\u00e1 sal no oceano\u201d n\u00e3o s\u00e3o conhecidas por eles.\u00a0Na m\u00e9dia geral, o Brasil alcan\u00e7ou 420 pontos, tamb\u00e9m entre os n\u00edveis baixo e intermedi\u00e1rio.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u2018O problema da matem\u00e1tica \u00e9 ainda pior do que o da leitura\u2019, diz especialista<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo Ernesto Martins Faria, o Timss deixa claro, mais uma vez, que o maior problema na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica brasileira \u00e9 a matem\u00e1tica \u2014 um buraco ainda mais fundo do que em leitura ou em ci\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cQuase n\u00e3o existe a realidade de alunos abaixo de 400 pontos na Inglaterra, por exemplo. No Brasil, \u00e9 a pontua\u00e7\u00e3o mais comum. N\u00f3s temos uma quest\u00e3o no letramento matem\u00e1tico: crian\u00e7as e jovens n\u00e3o dominam a base m\u00ednima da disciplina para conseguir resolver um problema\u201d, diz.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, veja hip\u00f3teses que explicam esse desempenho t\u00e3o baixo:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>POUCA FAMILIARIDADE COM N\u00daMEROS &#8211;&nbsp;<\/strong>Em l\u00edngua portuguesa, ainda h\u00e1 um contato mais intenso com a disciplina no dia a dia (seja lendo um livro ou trocando mensagens no Whatsapp). Se houver boas bibliotecas ou se os pais do aluno forem escolarizados, \u00e9 poss\u00edvel que o aluno adquira habilidades de leitura e escrita. J\u00e1 em matem\u00e1tica, dependemos muito mais de bons professores e de bons col\u00e9gios. E o Brasil enfrenta problemas graves na forma\u00e7\u00e3o docente (como crescimento avassalador do ensino \u00e0 dist\u00e2ncia e a baixa qualidade dos cursos de pedagogia e de licenciatura).<\/p>\n\n\n\n<p>\u27a1\ufe0f<strong>BAIXA ATRATIVIDADE &#8211;&nbsp;<\/strong>A carreira de professor j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 atrativa, em geral, pela baixa remunera\u00e7\u00e3o e pelas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.&nbsp;Nos cursos de licenciatura em matem\u00e1tica, ent\u00e3o, a procura por vagas \u00e9 baix\u00edssima.&nbsp;E n\u00e3o para por a\u00ed: a evas\u00e3o nessas gradua\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 alta. O aluno que \u00e9 bom em c\u00e1lculo acaba migrando para carreiras com melhores perspectivas de mercado de trabalho, como economia, engenharia e ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2696\ufe0f DESEQUIL\u00cdBRIO NA DISTRIBUI\u00c7\u00c3O DE PROFESSORES:\u00a0<\/strong>Forma-se um ciclo. Os estudantes aprovados nas faculdades privadas entram, em geral, com uma defasagem nos conhecimentos b\u00e1sicos, provavelmente pela baixa qualidade do ensino m\u00e9dio p\u00fablico. \u27a1\ufe0f T\u00eam acesso a um curso superior fraco. \u27a1\ufe0fAp\u00f3s a formatura, enfrentam maior dificuldade para passar nos concursos p\u00fablicos mais concorridos.\u27a1\ufe0f S\u00e3o contratados como professores tempor\u00e1rios, em escolas de pior estrutura.\u27a1\ufe0f\u00a0Ensinam alunos que j\u00e1 s\u00e3o mais socialmente vulner\u00e1veis\u00a0e que, por tabela, continuar\u00e3o recebendo uma forma\u00e7\u00e3o escolar pior que a dos mais ricos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;DESIGUALDADE ECON\u00d4MICA:&nbsp;<\/strong>\u00c9merson de Pietri, professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), j\u00e1 explicou ao&nbsp;<strong>g1&nbsp;<\/strong><a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2024\/02\/17\/entre-os-alunos-mais-pobres-so-3percent-tem-conhecimentos-adequados-de-matematica-no-brasil-mostra-pisa.ghtml\">em fevereiro<\/a>&nbsp;dois aspectos:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li><strong>O processo de educa\u00e7\u00e3o formal no Brasil \u00e9 recente &#8211;\u00a0<\/strong>A escolariza\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, no sistema p\u00fablico, passou a ser acess\u00edvel para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a d\u00e9cada de 1970, gradualmente. \u201cFoi s\u00f3 na d\u00e9cada de 1990 que a maioria chegou ao ensino fundamental 2\u201d, disse. Ou seja: partimos de um ponto diferente da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Por quase 400 anos, o Brasil viveu um sistema escravocrata, \u201cque deixou uma estrutura social dif\u00edcil de ser superada\u201d<\/strong>. \u201cNo cotidiano escolar, recebemos alunos que v\u00eam de situa\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas muito dif\u00edceis. S\u00e3o crian\u00e7as que precisam se preocupar antes com a sobreviv\u00eancia. Ela tem o que comer? O que vestir? Pode tomar banho? \u00c9 um conjunto de fatores para que ela tenha condi\u00e7\u00f5es de aprender\u201d, afirmou o professor.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>G1<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil,&nbsp;51% das crian\u00e7as do 4\u00ba ano do ensino fundamental n\u00e3o dominam habilidades b\u00e1sicas de matem\u00e1tica,&nbsp;como fazer tabuada, interpretar gr\u00e1ficos simples ou somar e subtrair n\u00fameros de tr\u00eas algarismos (200 &#8211; 150 ou 300 + 120, por exemplo). 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