{"id":27001,"date":"2026-10-20T07:29:55","date_gmt":"2026-10-20T11:29:55","guid":{"rendered":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/?p=27001"},"modified":"2026-10-20T07:29:56","modified_gmt":"2026-10-20T11:29:56","slug":"50-das-mulheres-recebem-diagnostico-de-cancer-de-mama-em-fase-avancada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/index.php\/2026\/10\/20\/50-das-mulheres-recebem-diagnostico-de-cancer-de-mama-em-fase-avancada\/","title":{"rendered":"50% das mulheres recebem diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama em fase avan\u00e7ada"},"content":{"rendered":"\n<p>Dados do Radar do C\u00e2ncer revelam que, em Mato Grosso, 54,36% das pacientes iniciam o tratamento do c\u00e2ncer de mama ap\u00f3s o prazo de 60 dias estabelecido em lei. O levantamento, que considera o per\u00edodo de 2024 a 2026, aponta ainda que 50,84% das pacientes j\u00e1 estavam em est\u00e1gio avan\u00e7ado da doen\u00e7a. Outro dado que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que 55,95% precisaram se deslocar para fora de seus munic\u00edpios para conseguir atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O mastologista Luciano Florisbelo afirma que muito se fala sobre a import\u00e2ncia de as mulheres fazerem mamografia e ultrassonografia das mamas, mas a maioria enfrenta dificuldades para realizar os exames. Segundo o especialista, a realidade \u00e9 que 75% da popula\u00e7\u00e3o depende do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Os exames s\u00e3o solicitados, mas costuma haver demora para que a paciente consiga realiz\u00e1-los e obter os resultados. Tamb\u00e9m h\u00e1 demora para conseguir uma consulta com um especialista, o que acaba levando a diagn\u00f3sticos mais tardios.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa \u00e9 fazer uma campanha e dizer que \u00e9 preciso ter um diagn\u00f3stico precoce. Outra \u00e9 garantir o acesso ao exame. Conscientiza\u00e7\u00e3o sem acesso n\u00e3o basta. Existem mulheres que recebem um pedido de mamografia e precisam esperar meses para fazer o exame, afirma, enfatizando que, em Mato Grosso, mais da metade das pacientes receberam o diagn\u00f3stico em est\u00e1gio 3 ou 4.<\/p>\n\n\n\n<p>Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Mato Grosso, Luis Fernando Corr\u00eaa de Barros confirma que o diagn\u00f3stico precoce do c\u00e2ncer de mama \u00e9 fundamental, pois aumenta consideravelmente as chances de cura, que podem chegar a 98%.<\/p>\n\n\n\n<p>O mastologista pondera que o diagn\u00f3stico precoce \u00e9 realizado por meio da mamografia e o ideal \u00e9 realizar o exame anualmente, dos 40 aos 74 anos. A mamografia \u00e9 o \u00fanico exame que diminui a mortalidade por c\u00e2ncer de mama. Por isso, ela \u00e9 fundamental para diagnosticar neoplasias em est\u00e1gios mais precoces. Em alguns casos, pode ser necess\u00e1rio fazer ultrassonografia e, raramente, na minoria dos casos, resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Demora no diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Trabalhadores Volunt\u00e1rios contra o C\u00e2ncer de Mama em Mato Grosso (MTmamma), Karen Mathias afirma que as pacientes enfrentam um gargalo muito cr\u00edtico em uma das etapas mais sens\u00edveis da rede estadual: a confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico por meio da bi\u00f3psia e a libera\u00e7\u00e3o do resultado histopatol\u00f3gico. Sem esse laudo, a paciente n\u00e3o entra na fila da oncologia, o que aumenta o tempo de espera.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Karen, o diagn\u00f3stico tardio tem um custo elevado para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade, pois exige tratamentos de alta complexidade, mais caros e prolongados. Para a paciente, a demora reduz as chances de retorno \u00e0 vida funcional e produtiva. Karen refor\u00e7a que, no c\u00e2ncer de mama, o tempo \u00e9 um dos principais fatores progn\u00f3sticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o tumor \u00e9 descoberto nos est\u00e1gios iniciais, 1 ou 2, a chance de cura ultrapassa 90%, com tratamentos menos agressivos e cirurgias mais conservadoras. Quando a paciente chega \u00e0 oncologia em est\u00e1gio avan\u00e7ado, a probabilidade de cura cai consideravelmente e o tratamento se torna mais mutilante. Se a doen\u00e7a for descoberta muito tarde, \u00e0s vezes \u00e9 necess\u00e1rio fazer a mastectomia total, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidente da MTmamma ressalta que a lei estabelece que o primeiro tratamento contra o c\u00e2ncer deve ser iniciado em at\u00e9 60 dias ap\u00f3s a emiss\u00e3o do laudo anatomopatol\u00f3gico. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, o cumprimento desse prazo enfrenta v\u00e1rios entraves. Um deles \u00e9 que a contagem s\u00f3 come\u00e7a quando a paciente tem o laudo da bi\u00f3psia em m\u00e3os. Entretanto, a demora para conseguir agendar a bi\u00f3psia e aguardar a libera\u00e7\u00e3o do resultado pode levar meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando finalmente recebe o diagn\u00f3stico, a paciente esbarra no gargalo da regula\u00e7\u00e3o, que envolve conseguir uma vaga para a primeira consulta, agendar a cirurgia ou iniciar o tratamento. O descumprimento do prazo n\u00e3o ocorre por falta de norma legal, mas pelo descompasso entre a demanda e a capacidade operacional das redes credenciadas, comenta. 8 meses de espera Moradora de V\u00e1rzea Grande, Graciele Brito, de 38 anos, relata as dificuldades que enfrentou at\u00e9 come\u00e7ar o tratamento do c\u00e2ncer de mama. Ela descobriu um n\u00f3dulo ao se tocar durante o banho, no autoexame, e procurou imediatamente um cl\u00ednico-geral no posto de sa\u00fade do bairro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um exame de ultrassonografia apontar alta suspeita de c\u00e2ncer, foi encaminhada ao mastologista no Post\u00e3o de V\u00e1rzea Grande, que indicou a realiza\u00e7\u00e3o de uma bi\u00f3psia. Dois anos depois, Graciele ainda n\u00e3o havia sido chamada para fazer o exame e decidiu custe\u00e1-lo do pr\u00f3prio bolso. Em 25 de setembro de 2024, veio a confirma\u00e7\u00e3o do carcinoma invasivo, um tipo de c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n\n\n\n<p>A paciente iniciou o tratamento em 30 de maio de 2025, com uma cirurgia de mastectomia bilateral, reconstru\u00e7\u00e3o imediata e maisamento axilar. Logo ap\u00f3s a cirurgia, foi constatada met\u00e1stase no linfonodo, e ela iniciou a quimioterapia em agosto de 2025. Foram oito meses desde a descoberta at\u00e9 eu conseguir iniciar o tratamento contra o c\u00e2ncer. Foi uma demora muito grande. Se eu n\u00e3o tivesse pagado pelo exame, morreria sem saber que estava com c\u00e2ncer, conta Graciele. Rayane J\u00falia Nascimento, de 30 anos, descobriu o c\u00e2ncer aos 27, tamb\u00e9m ao se tocar durante o banho. Ela decidiu fazer uma ultrassonografia particular por conhecer a demora no SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram detectados 11 n\u00f3dulos de formato irregular, classificados na categoria BI-RADS 4, considerada suspeita para c\u00e2ncer. Um m\u00eas depois, veio a confirma\u00e7\u00e3o do carcinoma triplo-negativo. Rayane fez resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, tomografia, cintilografia \u00f3ssea e ultrassonografia das mamas para dar in\u00edcio ao tratamento e \u00e0 corrida contra o tempo. O c\u00e2ncer n\u00e3o espera.<\/p>\n\n\n\n<p>Optei por fazer vaquinhas e paguei esses exames para dar in\u00edcio ao meu tratamento, relata. A paciente conta que chegou a protocolar os pedidos de exames no SUS, mas a autoriza\u00e7\u00e3o s\u00f3 veio mais de 100 dias depois. Fa\u00e7o acompanhamento a cada quatro meses. Mas o SUS n\u00e3o me fornece os exames de controle de que preciso periodicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o tr\u00eas tomografias &#8211; da pelve, do abd\u00f4men e do t\u00f3rax -, cintilografia \u00f3ssea, resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, ultrassonografia das mamas e exames de sangue. Se protocolar os pedidos no SUS, nunca consigo fazer tudo de quatro em quatro meses. Tenho que optar por pagar na rede privada, porque geralmente s\u00e3o seis a sete meses para liberar os exames, afirma.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>gazetadigital<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do Radar do C\u00e2ncer revelam que, em Mato Grosso, 54,36% das pacientes iniciam o tratamento do c\u00e2ncer de mama ap\u00f3s o prazo de 60 dias estabelecido em lei. 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