{"id":26608,"date":"2026-10-04T15:09:08","date_gmt":"2026-10-04T19:09:08","guid":{"rendered":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/?p=26608"},"modified":"2026-10-04T15:09:09","modified_gmt":"2026-10-04T19:09:09","slug":"mato-grosso-registra-6-pessoas-desaparecidas-por-dia-em-oito-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/index.php\/2026\/10\/04\/mato-grosso-registra-6-pessoas-desaparecidas-por-dia-em-oito-meses\/","title":{"rendered":"Mato Grosso registra 6 pessoas desaparecidas por dia em oito meses"},"content":{"rendered":"\n<p>Mato Grosso registra m\u00e9dia de seis desaparecimentos por dia em 2026. Enquanto estat\u00edsticas revelam a dimens\u00e3o do problema, casos do professor Breno Ant\u00f4nio e do maranhense M\u00e1rcio Maraes Santos mostram a ang\u00fastia de quem espera por uma liga\u00e7\u00e3o, uma pista ou simplesmente a not\u00edcia de que algu\u00e9m voltou para casa.<\/p>\n\n\n\n<p><br>H\u00e1 fam\u00edlias que dormem com o telefone ao lado da cama. Que acordam procurando mensagens, percorrem hospitais, delegacias e ruas, compartilham fotografias de desconhecido em desconhecido e transformam qualquer informa\u00e7\u00e3o em esperan\u00e7a. Em Mato Grosso, essa espera passou a fazer parte da realidade de milhares de pessoas: 1.536 desaparecimentos foram registrados somente entre janeiro e agosto de 2026, conforme o painel do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Sinesp), do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A dimens\u00e3o fica ainda mais evidente quando o n\u00famero \u00e9 dividido pelo tempo: s\u00e3o cerca de seis desaparecimentos registrados por dia no Estado. Pessoas que sa\u00edram para trabalhar, estudar, encontrar algu\u00e9m ou realizar tarefas comuns e, por diferentes circunst\u00e2ncias, tiveram o paradeiro comunicado \u00e0s autoridades como desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Os dados do Sinesp apresentados para Mato Grosso mostram que, dos 1.536 registros, 1.025 s\u00e3o de homens e 511 de mulheres. A maioria envolve adultos: 1.046 pessoas tinham 18 anos ou mais. Outros 477 registros s\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes de at\u00e9 17 anos, enquanto 13 n\u00e3o tiveram a faixa et\u00e1ria informada.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A evolu\u00e7\u00e3o mensal tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o. Foram 169 registros em janeiro, 150 em fevereiro, 196 em mar\u00e7o, 196 em abril, 208 em maio, 190 em junho, 201 em julho e 226 em agosto. Agosto, portanto, teve o maior n\u00famero entre os oito primeiros meses do ano.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u00c9 importante ressaltar que os n\u00fameros representam registros de desaparecimento, e n\u00e3o necessariamente pessoas que continuam desaparecidas atualmente. Parte delas pode ter sido localizada posteriormente. O Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a mant\u00e9m bases e ferramentas nacionais voltadas ao registro e \u00e0 consulta de desaparecidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><br>Mas uma estat\u00edstica t\u00e3o grande pode esconder justamente aquilo que existe de mais doloroso no desaparecimento: cada n\u00famero tem nome, hist\u00f3ria, fam\u00edlia e pessoas esperando. Nos \u00faltimos dias, dois desses nomes passaram a mobilizar buscas na regi\u00e3o metropolitana de Cuiab\u00e1: Breno Ant\u00f4nio Humberto de Moraes e M\u00e1rcio Maraes Santos.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Onde est\u00e1 Breno?<\/strong><br>O professor Breno Ant\u00f4nio Humberto de Moraes, de 25 anos, desapareceu na noite de 26 de setembro, em V\u00e1rzea Grande. Professor das s\u00e9ries iniciais, ele foi visto pela \u00faltima vez na regi\u00e3o do bairro Capela do Pi\u00e7arr\u00e3o. C\u00e2meras de seguran\u00e7a registraram um dos \u00faltimos momentos conhecidos de Breno: por volta das 20h26, ele sobe na garupa de uma motocicleta. Depois disso, n\u00e3o foi mais visto pela fam\u00edlia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><br>O desaparecimento ganhou contornos ainda mais angustiantes porque o sil\u00eancio n\u00e3o come\u00e7ou imediatamente.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Segundo familiares, mensagens chegaram a ser enviadas pelo celular do professor depois que ele saiu. O irm\u00e3o g\u00eameo, Bruno, por\u00e9m, estranhou a maneira como as respostas eram escritas e passou a suspeitar de que poderia n\u00e3o ser Breno do outro lado da conversa. A fam\u00edlia tamb\u00e9m recebeu uma fotografia que levantou d\u00favidas, inclusive porque tatuagens do jovem n\u00e3o apareciam na imagem. At\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 confirma\u00e7\u00e3o pericial p\u00fablica de eventual manipula\u00e7\u00e3o da fotografia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><br>Para Bruno, procurar Breno significa procurar algu\u00e9m que esteve ao seu lado desde o come\u00e7o da vida. Os dois s\u00e3o irm\u00e3os g\u00eameos e haviam completado 25 anos juntos apenas nove dias antes do desaparecimento. Desde que o irm\u00e3o sumiu, Bruno transformou as redes sociais em uma ferramenta de busca e tem feito sucessivos apelos por informa\u00e7\u00f5es. Olhar Direto<br>Em um deles, descreveu a dimens\u00e3o da aus\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cEu quero encontrar o meu irm\u00e3o, gente. Vivo ou morto, eu quero encontrar o meu irm\u00e3o. Eu n\u00e3o vou descansar enquanto eu n\u00e3o encontrar o meu irm\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o saiu das redes sociais e chegou \u00e0s ruas. Familiares, amigos, estudantes e integrantes da comunidade acad\u00eamica realizaram atos para divulgar o rosto do professor e cobrar respostas sobre o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na UFMT, cartazes e uma caminhada deram forma a uma pergunta que acompanha a fam\u00edlia desde aquela noite:<strong><em> onde est\u00e1 Breno?&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>O caso \u00e9 investigado pelo N\u00facleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia Especializada de Homic\u00eddios e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa (DHPP). A Pol\u00edcia Civil informou que realiza dilig\u00eancias e que, neste momento, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel confirmar publicamente hip\u00f3teses sobre o que aconteceu com o professor.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Do Maranh\u00e3o a Cuiab\u00e1: uma viagem para trabalhar termina em desaparecimento<\/strong><br>Enquanto uma fam\u00edlia procura Breno em V\u00e1rzea Grande, outra percorreu mais de mil quil\u00f4metros para tentar descobrir onde est\u00e1 M\u00e1rcio Maraes Santos, de 36 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><br>M\u00e1rcio deixou Itaipava do Graja\u00fa, no Maranh\u00e3o, e veio para Mato Grosso depois de conseguir uma oportunidade de trabalho em uma empresa do setor de energia. Em sua terra natal, costumava trabalhar na ro\u00e7a. A viagem para Cuiab\u00e1 representava uma nova oportunidade. Desde a madrugada de 25 de setembro, por\u00e9m, ele est\u00e1 desaparecido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><br>M\u00e1rcio n\u00e3o possui um dos olhos. Em uma oportunidade anterior de trabalho, utilizava uma pr\u00f3tese ocular. Desta vez, segundo relato da fam\u00edlia, veio sem a pr\u00f3tese e precisaria passar por uma per\u00edcia para conseguir trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Mas a per\u00edcia n\u00e3o chegou a acontecer.&nbsp;Depois disso, M\u00e1rcio desapareceu.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A fam\u00edlia considera, entre as possibilidades, que ele possa ter sa\u00eddo em busca de outro emprego nos arredores. Sem conseguir contato e sem saber exatamente qual caminho ele tomou, parentes deixaram o Maranh\u00e3o e vieram at\u00e9 Cuiab\u00e1 para acompanhar as buscas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><br>Entre eles est\u00e1 o pai, Raimundo de Oliveira Sampa, conhecido como Z\u00e9 Folia. A dist\u00e2ncia entre Maranh\u00e3o e Mato Grosso, que antes separava a fam\u00edlia de M\u00e1rcio enquanto ele tentava trabalhar, tornou-se agora o caminho percorrido por um pai em busca do filho.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cMoro no Maranh\u00e3o, em Itaipava do Graja\u00fa, e estou aqui em busca de um filho meu\u201d, contou Raimundo.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Quando um desaparecimento muda a rotina de uma fam\u00edlia<\/strong><br>Breno e M\u00e1rcio t\u00eam hist\u00f3rias diferentes. Um \u00e9 professor, tinha 25 anos e desapareceu depois de subir em uma motocicleta em V\u00e1rzea Grande. O outro tem 36 anos, saiu do Maranh\u00e3o para tentar trabalhar em Mato Grosso e desapareceu em Cuiab\u00e1.<br>Os dois, no entanto, agora fazem parte da mesma realidade vivida por centenas de fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u00c9 justamente a\u00ed que os 1.536 registros deixam de ser apenas uma sequ\u00eancia de n\u00fameros em um painel.<\/p>\n\n\n\n<p><br>S\u00e3o 1.536 hist\u00f3rias comunicadas \u00e0s autoridades em apenas oito meses. 1.536 momentos em que algu\u00e9m percebeu que uma pessoa n\u00e3o voltou. Um telefone que deixou de atender. Uma mensagem que n\u00e3o chegou. Uma cama que permaneceu vazia. Uma fam\u00edlia que precisou procurar a pol\u00edcia sem saber quando ou como&nbsp; aquela busca terminaria.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Em m\u00e9dia, isso aconteceu seis vezes por dia em Mato Grosso entre janeiro e agosto.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Para algumas fam\u00edlias, a resposta chega rapidamente e a pessoa \u00e9 localizada. Para outras, a procura atravessa dias, semanas, meses ou at\u00e9 anos. Por isso, os dados de desaparecimento n\u00e3o devem ser confundidos com o n\u00famero atual de pessoas ainda n\u00e3o localizadas.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No caso de Breno, cada novo dia amplia a mobiliza\u00e7\u00e3o de parentes e amigos. No de M\u00e1rcio, uma fam\u00edlia que estava a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia precisou vir at\u00e9 Mato Grosso para procur\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No meio de uma estat\u00edstica estadual que ultrapassou 1,5 mil registros em oito meses, os dois casos ajudam a revelar aquilo que nenhum gr\u00e1fico consegue mostrar: quando algu\u00e9m desaparece, n\u00e3o desaparece sozinho. A rotina de uma fam\u00edlia inteira passa a girar em torno da busca por uma resposta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Toda informa\u00e7\u00e3o ajuda<\/strong><br>Informa\u00e7\u00f5es que possam ajudar a localizar Breno podem ser repassadas anonimamente pelo Disque-Den\u00fancia 197 ou diretamente ao N\u00facleo de Pessoas Desaparecidas\/DHPP pelos telefones (65) 3613-8777 e (65) 98173-0565.<\/p>\n\n\n\n<p>Gazeta Digital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mato Grosso registra m\u00e9dia de seis desaparecimentos por dia em 2026. Enquanto estat\u00edsticas revelam a dimens\u00e3o do problema, casos do professor Breno Ant\u00f4nio e do maranhense M\u00e1rcio Maraes Santos mostram a ang\u00fastia de quem espera por uma liga\u00e7\u00e3o, uma pista ou simplesmente a not\u00edcia de que algu\u00e9m voltou para casa. 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