{"id":24559,"date":"2026-07-31T09:52:48","date_gmt":"2026-07-31T13:52:48","guid":{"rendered":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/?p=24559"},"modified":"2026-07-31T09:52:49","modified_gmt":"2026-07-31T13:52:49","slug":"com-sobrevoos-no-acre-cientistas-encontram-quase-400-novos-geoglifos-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/index.php\/2026\/07\/31\/com-sobrevoos-no-acre-cientistas-encontram-quase-400-novos-geoglifos-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Com sobrevoos no Acre, cientistas encontram quase 400 novos geoglifos na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p>Cientistas encontraram 396 geoglifos escondidos nas florestas do sul da Amaz\u00f4nia ap\u00f3s uma s\u00e9rie de sobrevoos que incluiu trajetos a partir de\u00a0Rio Branco, capital do Acre. A pesquisa usou uma tecnologia de\u00a0mapeamento 3D a laser\u00a0capaz de registrar o relevo abaixo da vegeta\u00e7\u00e3o e revelou estruturas que n\u00e3o apareciam em imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Os geoglifos s\u00e3o grandes constru\u00e7\u00f5es feitas com valas e estruturas de terra, geralmente organizadas em formas geom\u00e9tricas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento abrangeu cerca de\u00a0<strong>4,8 mil quil\u00f4metros quadrados\u00a0<\/strong>em uma \u00e1rea que inclui o Acre, o sul do Amazonas e regi\u00f5es da\u00a0Bol\u00edvia\u00a0e do Peru. O estudo foi publicado na quarta-feira (29) na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Nature<\/em>\u00a0e reuniu pesquisadores brasileiros e finlandeses.<\/p>\n\n\n\n<p>o bot\u00e2nico Evandro Ferreira, da Universidade Federal do Acre (Ufac), que coordenou a equipe brasileira do estudo, explicou que apenas&nbsp;9% das estruturas identificadas j\u00e1 eram conhecidas em \u00e1reas abertas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pesquisa encontrou novos geoglifos. Antes do levantamento, apenas 36 estruturas do tipo eram conhecidas na regi\u00e3o. Com as novas descobertas, o n\u00famero de geoglifos mapeados chegou a 432 nessa regi\u00e3o mapeada\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas usaram avi\u00f5es com aparelhos de<em>&nbsp;lidar,<\/em>&nbsp;uma tecnologia de radar a laser para&nbsp;<strong>mapeamento das \u00e1reas em tr\u00eas dimens\u00f5es<\/strong>.&nbsp;Durante os sobrevoos, o equipamento registra informa\u00e7\u00f5es sobre a vegeta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m alcan\u00e7a o solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, os dados s\u00e3o processados em computador. Com isso, os pesquisadores conseguem\u00a0retirar virtualmente a cobertura vegetal e observar apenas a topografia do terreno, o que permite identificar marcas e estruturas escondidas pela floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Evandro, a pesquisa teve como ponto de partida um estudo publicado em 2023 por um grupo liderado por um pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O trabalho utilizou o<em>&nbsp;lidar&nbsp;<\/em>em sobrevoos pela Amaz\u00f4nia e apontou que milhares de geoglifos ainda poderiam estar escondidos sob a floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o grupo de pesquisadores tamb\u00e9m publicou, naquele ano, um levantamento que identificou cerca de 1,2 mil geoglifos em \u00e1reas j\u00e1 desmatadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desses resultados, os pesquisadores decidiram ampliar a investiga\u00e7\u00e3o com o uso da nova tecnologia no sul da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>A quantidade de geoglifos identificada durante os sobrevoos permitiu aos pesquisadores estimar o potencial de novas descobertas em uma \u00e1rea mais ampla do sul da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o analisada se estende por parte do Acre e do sul do Amazonas, alcan\u00e7a o Norte de Rond\u00f4nia e inclui \u00e1reas da Bol\u00edvia e do Peru. A delimita\u00e7\u00e3o considera a presen\u00e7a de geoglifos e outros dados obtidos em pesquisas arqueol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com coordenador, a \u00e1rea tem cerca de 185 mil quil\u00f4metros quadrados e&nbsp;<strong>pode abrigar at\u00e9 30 mil geoglifos<\/strong>. A estimativa foi feita com base na quantidade de estruturas encontradas durante o levantamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A proje\u00e7\u00e3o supera a estimativa apresentada em um estudo publicado em 2023, que apontou a possibilidade de cerca de 10 mil geoglifos ainda desconhecidos em toda a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Evandro Ferreira destacou que a nova estimativa considera apenas uma \u00e1rea de&nbsp;<strong>185 mil quil\u00f4metros&nbsp;<\/strong>quadrados, enquanto a Amaz\u00f4nia ocupa&nbsp;mais de 4 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ocupa\u00e7\u00e3o distante dos rios<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ampliar a quantidade estimada de geoglifos, o estudo traz novas informa\u00e7\u00f5es sobre a forma como os povos antigos ocuparam a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradicionalmente, pesquisas arqueol\u00f3gicas associaram a presen\u00e7a humana na regi\u00e3o \u00e0s margens dos grandes rios. De acordo com Evandro, a proximidade com os cursos d\u2019\u00e1gua facilitava o acesso \u00e0 \u00e1gua, a pesca e outras atividades de subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador destacou ainda que a regi\u00e3o enfrentava per\u00edodos de seca intensa. Por isso, os povos que viviam nesses locais precisavam conhecer as condi\u00e7\u00f5es da floresta e desenvolver estrat\u00e9gias para garantir alimento e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Civiliza\u00e7\u00e3o Aquiry<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores associam os geoglifos \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o Aquiry, que ocupou parte do sul da Amaz\u00f4nia antes da chegada dos europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ferreira, os primeiros geoglifos come\u00e7aram a ser constru\u00eddos entre&nbsp;<strong>600 e 400 anos antes de Cristo<\/strong>. As estruturas mais recentes datam de cerca do ano&nbsp;<strong>900 depois de Cristo<\/strong>, o que indica aproximadamente&nbsp;<strong>1,5 mil anos de ocupa\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o dessas obras na regi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A estimativa sobre o tamanho da popula\u00e7\u00e3o considera a quantidade de pessoas necess\u00e1ria para construir e manter os geoglifos. Para o pesquisador, cada estrutura exigiria o&nbsp;<strong>trabalho de pelo menos 300 pessoas<\/strong>&nbsp;e uma organiza\u00e7\u00e3o capaz de garantir a&nbsp;alimenta\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia dos grupos durante as obras.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base na quantidade e na idade dos geoglifos, os pesquisadores estimaram que, entre os anos 100 e 300 depois de Cristo, a popula\u00e7\u00e3o associada \u00e0s estruturas poderia variar entre&nbsp;<strong>1,25 milh\u00e3o e 3 milh\u00f5es de pessoas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Evandro ressaltou que a estimativa&nbsp;n\u00e3o representa a quantidade de pessoas que viviam na regi\u00e3o&nbsp;ao mesmo tempo, mas considera a ocupa\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o dos geoglifos ao longo desse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o impressionante, mas, claro, n\u00e3o eram 3 milh\u00f5es de pessoas vivendo no mesmo ano. Foi ao longo desse per\u00edodo\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Descobertas e debate sobre preserva\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m levanta discuss\u00f5es sobre a preserva\u00e7\u00e3o dos geoglifos diante da expans\u00e3o da agricultura mecanizada no sul da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>As estruturas s\u00e3o protegidas por lei por representarem parte da hist\u00f3ria e do patrim\u00f4nio cultural da regi\u00e3o. Segundo o pesquisador, danos provocados por atividades agr\u00edcolas podem resultar em responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea analisada inclui munic\u00edpios acreanos onde a agricultura mecanizada avan\u00e7ou nos \u00faltimos anos, como\u00a0Capixaba\u00a0e\u00a0Acrel\u00e2ndia, al\u00e9m de regi\u00f5es pr\u00f3ximas a Boca do Acre, no Amazonas..<\/p>\n\n\n\n<p>Para o pesquisador, a retirada da floresta pode revelar novas estruturas, mas tamb\u00e9m&nbsp;aumentar os conflitos entre a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico e o uso econ\u00f4mico das terras.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o coordenador, a identifica\u00e7\u00e3o de novas estruturas pode limitar o uso de algumas \u00e1reas e influenciar a expans\u00e3o da agricultura mecanizada na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>g1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas encontraram 396 geoglifos escondidos nas florestas do sul da Amaz\u00f4nia ap\u00f3s uma s\u00e9rie de sobrevoos que incluiu trajetos a partir de\u00a0Rio Branco, capital do Acre. 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