{"id":17965,"date":"2025-11-16T12:04:55","date_gmt":"2025-11-16T16:04:55","guid":{"rendered":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/?p=17965"},"modified":"2025-11-16T12:04:55","modified_gmt":"2025-11-16T16:04:55","slug":"maior-obra-ferroviaria-do-pais-vai-ligar-mt-ao-porto-de-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/index.php\/2025\/11\/16\/maior-obra-ferroviaria-do-pais-vai-ligar-mt-ao-porto-de-santos\/","title":{"rendered":"Maior obra ferrovi\u00e1ria do pa\u00eds vai ligar MT ao porto de Santos"},"content":{"rendered":"\n<p>Os trilhos de a\u00e7o est\u00e3o empilhados. Esperam o avan\u00e7o da obra no interior de Mato Grosso. A f\u00e1brica de dormentes, a base de concreto para suportar e distribuir o peso dos trens, acumula pe\u00e7as de 400 kg de concreto antes da instala\u00e7\u00e3o. At\u00e9 2030, dever\u00e3o percorrer 743 quil\u00f4metros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o acostumados com esse calor, n\u00e3o?&#8221;, pergunta o oper\u00e1rio que viajou de S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o, para Rondon\u00f3polis (215 km de Cuiab\u00e1). Ele foi contratado para participar da maior obra ferrovi\u00e1ria no pa\u00eds. &#8220;Tem gente de todo lugar do Brasil aqui&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O gerente da f\u00e1brica de dormente explica o funcionamento das m\u00e1quinas com sotaque do Tri\u00e2ngulo Mineiro. O chefe da seguran\u00e7a do trabalho, que morava em Santo Andr\u00e9, no ABC paulista, pede cuidado com as fa\u00edscas da solda.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles s\u00e3o uma fra\u00e7\u00e3o dos 5.000 trabalhadores envolvidos na primeira fase da Ferrovia Estadual do Mato Grosso, constru\u00edda pela Rumo Log\u00edstica. A obra vai colocar trilhos entre Rondon\u00f3polis e Lucas do Rio Verde, no norte do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto \u00e9 criar um corredor ferrovi\u00e1rio para escoar a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os em Mato Grosso para a malha paulista da empresa e, dali, para o porto de Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Das cerca de 150 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os exportadas pelo Brasil em 2024, por volta de 40% foram produzidas no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O investimento total da ferrovia \u00e9 estimado entre R$ 12 bilh\u00f5es e R$ 15 bilh\u00f5es e 100% do dinheiro ser\u00e1 pago pela Rumo. A companhia acredita que o projeto deve gerar 145 mil novos empregos diretos e indiretos. Ser\u00e3o constru\u00eddas 22 pontes, 21 viadutos e 2 quil\u00f4metros de t\u00faneis.<\/p>\n\n\n\n<p>Com or\u00e7amento de R$ 5 bilh\u00f5es, o primeiro trecho ter\u00e1 circula\u00e7\u00e3o de trens nos 211 km que separam Rondon\u00f3polis e Campo Verde. Desse total, 160 km v\u00e3o entrar em opera\u00e7\u00e3o em 2026. S\u00e3o cinco mil postos de trabalho gerados at\u00e9 o momento, o que representa 60% de todas as vagas dispon\u00edveis em Mato Grosso em obras de infraestrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>Para especialistas no tema, o Brasil d\u00e1 passos para reverter uma tend\u00eancia de desvaloriza\u00e7\u00e3o de ferrovias. Uma vis\u00e3o iniciada com o Plano Nacional de Via\u00e7\u00e3o no final da d\u00e9cada de 1950. A prioridade passou a ser a instala\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria automobil\u00edstica. Consequ\u00eancia do lema do presidente Washington Luiz (1926-1930), para quem governar era construir estradas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Era uma tentativa de condenar as ferrovias \u00e0 extin\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Aureo Pasqualeto Figueiredo, especialista em transporte ferrovi\u00e1rio e diretor da Faculdade de Engenharia da Unisanta (Universidade Santa Cec\u00edlia), em Santos, cidade que tem 100 km de trilhos para servir ao porto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A ideia no passado sempre foi de uma integra\u00e7\u00e3o hidrovi\u00e1ria e ferrovi\u00e1ria. N\u00e3o tem sentido um caminh\u00e3o levar carga por 2.000 km. Ele \u00e9 econ\u00f4mico em um percurso de at\u00e9 500 km&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem cerca de 31 mil km de ferrovias para transporte de cargas. A Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Transportes Ferrovi\u00e1rios estima que quase a metade desse total est\u00e1 desativada, subutilizada ou n\u00e3o s\u00e3o economicamente sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com n\u00fameros da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, no ano passado, as ferrovias eram respons\u00e1veis por 27% do transporte de cargas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Ferrovia Estadual do Mato Grosso, a base da obra est\u00e1 em Rondon\u00f3polis, cidade conhecida por ser um caldeir\u00e3o de influ\u00eancias provocadas pelo fluxo migrat\u00f3rio de Nordeste, Sul e Sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p>No calor superior a 30 graus, os moradores de origem sulista buscam nos supermercados o terer\u00ea, a erva que se torna com \u00e1gua gelada, n\u00e3o quente, como o chimarr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m onde est\u00e1 o principal terminal da Rumo, que recebe 1.600 caminh\u00f5es por dia e movimenta 22 milh\u00f5es de toneladas por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro terminal constru\u00eddo por causa da nova estrutura ser\u00e1 em Dom Aquino, na regi\u00e3o de Campo Verde, com capacidade de movimenta\u00e7\u00e3o anual de 10 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A fronteira agr\u00edcola em Mato Grosso cresce principalmente no norte do estado. O sul tem pouca \u00e1rea de amplia\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Nat\u00e1lia Marcassa, vice-presidente de regula\u00e7\u00e3o e sustentabilidade da Rumo Log\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>O interesse na obra \u00e9 tamb\u00e9m pelo modelo, in\u00e9dito no pa\u00eds. \u00c9 a primeira autoriza\u00e7\u00e3o estadual para a constru\u00e7\u00e3o de uma ferrovia. N\u00e3o se trata de concess\u00e3o por um determinado n\u00famero de anos e que depois voltar\u00e1 a ser licitada. Toda infraestrutura \u00e9 da Rumo, que ser\u00e1 propriet\u00e1ria por cem anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se fosse uma concess\u00e3o, o patrim\u00f4nio seria do poder p\u00fablico e seria arrendado pelo prazo de contrato. A autoriza\u00e7\u00e3o de ferrovia \u00e9 poss\u00edvel no ordenamento jur\u00eddico brasileiro a partir de 2022 com a nova lei de ferrovias. A gente teve muito desafio. O primeiro foi entender este novo modelo e lidar com o ente regulador estadual, que \u00e9 menos estruturado do que o federal, que tem quase 30 anos&#8221;, afirma Marcassa.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quest\u00f5es de licenciamentos a serem aprovados, de criar uma estrutura ainda inexistente e at\u00e9 tomar cuidado para n\u00e3o melindrar prefeitos das 16 cidades que ser\u00e3o cortadas pela nova ferrovia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um modelo que serve de exemplo tanto para a Rumo quanto para outras empresas. A gente v\u00ea outras pedindo autoriza\u00e7\u00e3o. O pessoal da celulose&#8230;&#8221;, finaliza a vice-presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ferrovia Estadual do Mato Grosso ser\u00e1 incorporada \u00e0 malha de 13,5 mil km de trilhos da Rumo. S\u00e3o cerca de 1.200 locomotivas e 33 mil vag\u00f5es em 10 terminais multimodais.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o poder\u00e1 tamb\u00e9m desafogar o movimento no terminal de Rondon\u00f3polis, onde a fila de caminh\u00f5es, no passado, fazia a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria telefonar para Weslley Ribeiro, gerente de opera\u00e7\u00f5es da empresa. Era preciso fazer algo para desimpedir a rodovia vizinha. Hoje, os ve\u00edculos pesados precisam esperar o chamado por meio de um aplicativo de celular quando est\u00e3o a oito quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pr\u00f3ximo ao complexo est\u00e1 a Brado, companhia do grupo Cosan (assim como a Rumo), que faz transporte de cont\u00eaineres. As tr\u00eas maiores ind\u00fastrias de farelo do pa\u00eds est\u00e3o em Rondon\u00f3polis: ADM, Bunge e Cofco.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra, quando finalizada, tamb\u00e9m vai servir na mudan\u00e7a de cen\u00e1rio que a Rumo v\u00ea no armazenamento e transporte de gr\u00e3os. Ribeiro lembra que de janeiro a julho era a \u00e9poca da soja, depois substitu\u00edda at\u00e9 dezembro pelo milho. S\u00f3 que, em novembro deste ano, os trens da empresa continuam a transportar soja.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pode virar uma tend\u00eancia&#8221;, diz o gerente, lembrando que os trilhos de a\u00e7o para transport\u00e1-la na nova ferrovia est\u00e3o pr\u00f3ximos de serem instalados.<\/p>\n\n\n\n<p>Raio-X &#8211; Rumo Log\u00edstica<\/p>\n\n\n\n<p>Funda\u00e7\u00e3o: 2008<\/p>\n\n\n\n<p>Controladora: Cosan<\/p>\n\n\n\n<p>Funcion\u00e1rios: 9.244<\/p>\n\n\n\n<p>Valor de mercado: R$ 29,4 bilh\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Receita l\u00edquida: R$ 13,9 bilh\u00f5es (2024)<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00eddianews<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os trilhos de a\u00e7o est\u00e3o empilhados. Esperam o avan\u00e7o da obra no interior de Mato Grosso. 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