{"id":15216,"date":"2025-08-17T11:18:34","date_gmt":"2025-08-17T15:18:34","guid":{"rendered":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/?p=15216"},"modified":"2025-08-17T11:18:34","modified_gmt":"2025-08-17T15:18:34","slug":"professores-veem-avanco-da-violencia-e-relatam-medo-em-sala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/index.php\/2025\/08\/17\/professores-veem-avanco-da-violencia-e-relatam-medo-em-sala\/","title":{"rendered":"Professores veem avan\u00e7o da viol\u00eancia e relatam medo em sala"},"content":{"rendered":"\n<p>Casos de viol\u00eancia em escolas de Mato Grosso t\u00eam ocupado grande espa\u00e7o na imprensa nos \u00faltimos meses, com diversos tipos de agress\u00f5es entre estudantes dentro ou fora das escolas. O epis\u00f3dio do ataque a uma adolescente por colegas que imitavam uma fac\u00e7\u00e3o criminosa, no \u00faltimo dia 4 em Alto Araguaia, foi o que teve maior repercuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras situa\u00e7\u00f5es, como a tentativa de atear fogo em uma adolescente de 13 anos por intoler\u00e2ncia religiosa, em V\u00e1rzea Grande, e o espancamento de outro, de 15, dentro do banheiro de uma escola de Cuiab\u00e1, por sete colegas, s\u00e3o exemplos do cen\u00e1rio em que a viol\u00eancia se propaga, de acordo com os professores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<strong>MidiaNews<\/strong>&nbsp;conversou com professores para entender esse fen\u00f4meno que preocupa pais em todo o Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A professora de Geografia Kely Carvalho d\u00e1 aula desde 2012. Ela conta que j\u00e1 presenciou diversas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e risco a outros estudantes e at\u00e9 mesmo aos pr\u00f3prios professores, que tamb\u00e9m sofrem amea\u00e7as.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A professora j\u00e1 foi alertada pelos pr\u00f3prios alunos em rela\u00e7\u00e3o a poss\u00edveis riscos que correu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 me disseram: \u2018Fulano j\u00e1 falou que n\u00e3o gosta da senhora e a gente sabe que fulano \u00e9 namorado de ciclano, que \u00e9\u2026\u2019 Como que eu posso dizer? N\u00e3o \u00e9 aluno, n\u00e3o \u00e9 trabalhador, n\u00e3o \u00e9 uma pessoa honrada. E a\u00ed a gente para, reflete, ora e volta a trabalhar\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, a professora destaca que nunca chegou a passar pelas vias de fato da viol\u00eancia, mas presenciou colegas sofrendo amea\u00e7as e at\u00e9 agress\u00f5es nas escolas em que j\u00e1 trabalhou. Ela fala sobre o caso de uma aluna que chegou a puxar o cabelo de uma professora, que ficou t\u00e3o abalada que saiu da unidade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra professora, que n\u00e3o quis se identificar, d\u00e1 aula na \u00e1rea de linguagens a estudantes de escolas p\u00fablicas desde 2018, e tamb\u00e9m j\u00e1 foi amea\u00e7ada e agredida verbalmente por uma aluna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi muito alarmante. Ela chegou a gritar, fazer gritaria, a utilizar xingamentos para mim, foi bem complicado\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Casos como este, de acordo com a profissional, t\u00eam avan\u00e7ado muito, n\u00e3o s\u00f3 dentro da escola. \u201cEles criam at\u00e9 grupos entre eles para definir formas agressivas de marcar as lutas em ruas, em bairros. Aquela quest\u00e3o toda da viol\u00eancia que \u00e0s vezes \u00e9 gerada dentro da pr\u00f3pria escola e vai progredindo, vai avan\u00e7ando\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Kely percebe a reprodu\u00e7\u00e3o de comportamentos vistos em pessoas com quem os estudantes convivem ou assistem na m\u00eddia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEst\u00e3o reproduzindo muitas coisas que v\u00eam l\u00e1 fora. Por isso que n\u00f3s, profissionais das redes p\u00fablica e privada, quando essa viol\u00eancia chega ao nosso conhecimento, fazemos reuni\u00f5es e tentamos refletir a melhor forma poss\u00edvel para que isso n\u00e3o chegue nas unidades onde n\u00f3s estamos. \u00c9 dif\u00edcil porque isso \u00e9 uma quest\u00e3o comportamental\u201d, diz a professora que n\u00e3o quer se identificar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A profissional tamb\u00e9m afirma que mesmo alunos que dizem pertencer a fac\u00e7\u00f5es ou grupos criminosos muitas vezes n\u00e3o o s\u00e3o de fato.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0s vezes eles usam o nome da fac\u00e7\u00e3o porque ela est\u00e1 ali na redondeza onde ele mora. \u00c0s vezes nem \u00e9 isso, eles est\u00e3o envolvidos com aquela coisa que viraliza. Eles falam que t\u00eam um grupo, mas \u00e0s vezes \u00e9 modismo. V\u00e1rias vezes esse estudante nem est\u00e1 envolvido com coisa de fac\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Interfer\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As professoras afirmam que este tipo de cen\u00e1rio influencia n\u00e3o apenas as pessoas que est\u00e3o diretamente envolvidas nas agress\u00f5es, mas todo o ambiente educacional. \u201cInfelizmente, muitos colegas ficam mais apagando o fogo para conseguir dar aula, o que atrapalha ministrar a sua aula com qualidade\u201d, afirma Kely.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente tem que ter mais o jogo de cintura do que, praticamente, lidar com o conte\u00fado em sala de aula. Porque ao se deparar com alunos violentos j\u00e1 em sala de aula, voc\u00ea tem que evitar poss\u00edveis causas e consequ\u00eancias. E isso atrapalha muito, muito. A gente n\u00e3o consegue desenvolver, nem atrair o aluno para a pr\u00e1tica de sala de aula\u201d, diz a professora de linguagens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O trip\u00e9&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar o aumento da viol\u00eancia nas escolas, Kely afirma que a educa\u00e7\u00e3o precisa ser apoiada pelo trip\u00e9 &#8220;aluno, institui\u00e7\u00e3o e fam\u00edlia&#8221;. Ela destaca que o aluno deve querer aprender, mas a sua educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas de seu esfor\u00e7o, mas tamb\u00e9m da colabora\u00e7\u00e3o de sua fam\u00edlia e da institui\u00e7\u00e3o de ensino, que precisam apoiar e promover um ambiente seguro para os jovens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as professoras destacam que a participa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia \u00e9 fundamental, pois muitos comportamentos e problemas dos alunos v\u00eam da pr\u00f3pria casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, elas acreditam ser necess\u00e1rio mais acolhimento e acompanhamento psicossocial por parte das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, tanto em rela\u00e7\u00e3o aos alunos quanto aos professores, que tamb\u00e9m s\u00e3o afetados em muitos casos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elas ainda relatam sobre como a infraestrutura das escolas pode mudar o comportamento dos alunos, dando o exemplo das c\u00edvico-militares, que possuem mais funcion\u00e1rios de p\u00e1tio e maior apoio aos professores para ministrar as aulas, o que reduz o \u00edndice de viol\u00eancia em sala de aula.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os estudantes ainda s\u00e3o jovens e t\u00eam o direito de receber educa\u00e7\u00e3o e apoio para que mudem comportamentos violentos, como ressaltam as professoras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c0s vezes, \u00e9 falta de um di\u00e1logo, de uma escuta, de um acompanhamento. S\u00e3o v\u00e1rios fatores. E o estudante \u00e9 vulner\u00e1vel, tem pessoas boas, tem alunos bons, mas no meio deles acaba tendo a viol\u00eancia\u201d, finalizou a linguista.<\/p>\n\n\n\n<p>Midianews <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casos de viol\u00eancia em escolas de Mato Grosso t\u00eam ocupado grande espa\u00e7o na imprensa nos \u00faltimos meses, com diversos tipos de agress\u00f5es entre estudantes dentro ou fora das escolas. 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