{"id":14758,"date":"2025-08-01T07:01:01","date_gmt":"2025-08-01T11:01:01","guid":{"rendered":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/?p=14758"},"modified":"2025-08-01T07:01:02","modified_gmt":"2025-08-01T11:01:02","slug":"mt-deve-perder-cerca-de-r-648-mi-no-seu-pib-no-tarifaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nazarenonews.com.br\/index.php\/2025\/08\/01\/mt-deve-perder-cerca-de-r-648-mi-no-seu-pib-no-tarifaco\/","title":{"rendered":"MT deve perder cerca de R$ 648 mi no seu PIB no tarifa\u00e7o"},"content":{"rendered":"\n<p>Com a entrada em vigor do tarifa\u00e7o de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros a partir da pr\u00f3xima semana (em 6 de agosto), Mato Grosso deve perder cerca de R$ 648 milh\u00f5es no seu Produto Interno Bruto (PIB), segundo estudo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI). Embora o valor seja expressivo, o estado aparece apenas como o 16\u00ba mais prejudicado entre todas as unidades da federa\u00e7\u00e3o. A sobretaxa atinge em cheio setores estrat\u00e9gicos da economia local, que mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es relevantes com o mercado norte-americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os principais setores industriais afetados em Mato Grosso est\u00e3o o de alimentos, metalurgia e produ\u00e7\u00e3o vegetal. J\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o dos produtos a serem diretamente impactados pelas tarifas est\u00e3o a carne bovina congelada, ouro em formas brutas, sebo bovino e soja. Juntos, esses itens representam mais de 90% das exporta\u00e7\u00f5es estaduais para os Estados Unidos em 2024. Nesta semana, o presidente norte-americano Donald Trump tirou quase 700 produtos da lista do tarifa\u00e7o. Entre as exce\u00e7\u00f5es est\u00e3o produtos como suco e polpa de laranja, combust\u00edveis, min\u00e9rios, fertilizantes e aeronaves civis. Todavia, caf\u00e9, frutas e carnes permanecem entre os itens afetados pela taxa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem do jornal A Gazeta ouviu representantes do com\u00e9rcio e servi\u00e7os, ind\u00fastria e agroneg\u00f3cio, que manifestaram preocupa\u00e7\u00e3o com os desdobramentos da medida e com a imprevisibilidade quanto \u00e0 dura\u00e7\u00e3o da tarifa imposta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IND\u00daSTRIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos setores mais interessados nos desdobramentos da retalia\u00e7\u00e3o comercial imposta aos produtos nacionais \u00e9 o madeireiro. A participa\u00e7\u00e3o da madeira brasileira nas exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos \u00e9 significativa. Em 2024, o Brasil enviou US$ 1,62 bilh\u00e3o em madeira e produtos relacionados, incluindo madeira moldada, carpintaria, pain\u00e9is e carv\u00e3o de madeira &#8211; o que representa 43% de todas as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras da cadeia, segundo n\u00fameros de 2023 e estimativas refor\u00e7adas por 2024. Os dados s\u00e3o da UN Comtrade, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC), somente em 2024, Mato Grosso exportou US$ 67,7 milh\u00f5es em produtos de madeira, sendo US$ 12,2 milh\u00f5es destinados aos Estados Unidos &#8211; 18,8% da pauta de exporta\u00e7\u00f5es do setor no estado. Por meio de nota, o presidente do Centro das Ind\u00fastrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem), Ednei Blasius, frisou que a preocupa\u00e7\u00e3o recai, principalmente, com rela\u00e7\u00e3o aos produtos de maio valor agregado, como deck e piso com e sem verniz, que representam grande parte das mercadorias enviadas aos estadunidenses.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVale lembrar que este tipo de produto \u00e9 feito sob encomenda e possuem medidas que atendem ao mercado norte-americano, o que inviabiliza a venda para outros clientes. A decis\u00e3o unilateral dos EUA compromete contratos em andamento, amea\u00e7a empregos e enfraquece a competitividade do setor no mercado internacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PECU\u00c1RIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, a aplica\u00e7\u00e3o da tarifa sobre produtos brasileiros somada \u00e0 al\u00edquota atual de 26,4% \u00e9 um duro golpe que compromete a viabilidade econ\u00f4mica das exporta\u00e7\u00f5es aos EUA, que importaram 229 mil toneladas em 2024. Para 2025, a previs\u00e3o era atingir 400 mil toneladas. \u201cA entidade est\u00e1 em di\u00e1logo com os importadores e colabora com o governo na busca de uma solu\u00e7\u00e3o negociada. Refor\u00e7a a import\u00e2ncia de preservar o fluxo comercial com os EUA, que enfrentam atualmente o menor ciclo pecu\u00e1rio dos \u00faltimos 80 anos e tamb\u00e9m destaca a atua\u00e7\u00e3o conjunta do esfor\u00e7o na abertura de novos mercados e nas articula\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e comerciais\u201d, disse por meio de comunicado. Procuradas pela reportagem, a Associa\u00e7\u00e3o dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) disseram que n\u00e3o v\u00e3o se manifestar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AGRICULTURA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso da soja, milho, bem como seus subprodutos, entre os isentos da tarifa de 50%, os reflexos indiretos podem gerar grande impacto ao setor produtivo brasileiro devido \u00e0 desorganiza\u00e7\u00e3o da cadeia de prote\u00edna animal, diante da taxa\u00e7\u00e3o sobre carnes bovina e de frango &#8211; setores que utilizam farelo de soja e milho como base para ra\u00e7\u00e3o. O presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Produtores deSoja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Beber, alertou para o risco de ac\u00famulo de estoques no mercado interno, o que pode pressionar os pre\u00e7os pagos ao produtor. Beber tamb\u00e9m demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com uma poss\u00edvel san\u00e7\u00e3o americana contra a importa\u00e7\u00e3o de fertilizantes da R\u00fassia, em virtude da guerra na Ucr\u00e2nia &#8211; considerando a depend\u00eancia brasileira destes insumos. O aumento no custo operacional, agravado ainda pelo pre\u00e7o do diesel tamb\u00e9m pode comprometer a rentabilidade do setor. Questionado sobre alternativas comerciais, o representante ponderou que apesar da China ser uma parceira relevante, o pa\u00eds asi\u00e1tico tem reduzido o ritmo de importa\u00e7\u00f5es e investido na amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o interna. \u201cA maioria dos produtos afetados pelo tarifa\u00e7o n\u00e3o ter\u00e1 para onde ir. \u00c9 preciso diplomacia, n\u00e3o confronto. O Brasil precisa de di\u00e1logo com os Estados Unidos, goste-se ou n\u00e3o, pois dependemos deles em v\u00e1rios aspectos. O momento \u00e9 de olhar t\u00e9cnico, n\u00e3o ideol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>COM\u00c9RCIO E SERVI\u00c7OS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso, o tarifa\u00e7o pode provocar efeitos em cadeia no setor de com\u00e9rcio e servi\u00e7os, especialmente em regi\u00f5es dependentes das exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio e da ind\u00fastria. Com a poss\u00edvel retra\u00e7\u00e3o nas vendas externas e aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o, a circula\u00e7\u00e3o de renda tende a diminuir, impactando diretamente o consumo interno, a gera\u00e7\u00e3o de empregos e o desempenho de pequenos neg\u00f3cios. Al\u00e9m disso, o encarecimento de insumos e produtos importados pode pressionar os pre\u00e7os e reduzir a margem de lucro dos prestadores de servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tarifa\u00e7o chega em um cen\u00e1rio de forte press\u00e3o na carga tribut\u00e1ria, com o aumento do IOF e a manuten\u00e7\u00e3o da taxa Selic em 15%. Os setores de com\u00e9rcio e servi\u00e7os s\u00e3o movidos por expectativas e, mesmo n\u00e3o sendo impactado num primeiro momento, o prolongamento desse quadro pode implicar na estagna\u00e7\u00e3o do consumo em m\u00e9dio e longo prazo e perda no potencial de gera\u00e7\u00e3o de empregos\u201d, analisa o presidente da C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas (CDL Cuiab\u00e1), Junior Macagnam.<\/p>\n\n\n\n<p>Gazeta digital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a entrada em vigor do tarifa\u00e7o de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros a partir da pr\u00f3xima semana (em 6 de agosto), Mato Grosso deve perder cerca de R$ 648 milh\u00f5es no seu Produto Interno Bruto (PIB), segundo estudo da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI). 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