A Câmara Municipal de Várzea Grande rejeitou hoje (31) o pedido de abertura de processo de cassação contra o presidente do Legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB). A representação, protocolada pelo PL, acusava o parlamentar de quebra de decoro e violência política de gênero após usar o termo “leitear” contra a prefeita Flávia Moretti (PL). (Veja o vídeo no final da matéria).
No total, 17 vereadores votaram pelo arquivamento da denúncia, enquanto apenas um foi favorável ao prosseguimento.
O vereador Lucas Chapéu do Sol (PL) registrou o único voto a favor da investigação. Houve duas abstenções, dos parlamentares Charles da Educação e Jânio Calistro.
O líder da prefeita, Bruno Rios (PL), não votou por estar na presidência dos trabalhos durante a análise da matéria, e Carlinhos Figueiredo não compareceu à sessão por licença médica. O próprio Wanderley Cerqueira, por ser o alvo da denúncia, também não registrou voto.
Relembre o caso
A crise política teve início após a sessão ordinária do dia 17 de março de 2026. Durante um embate em plenário com o vereador Bruno Rios, Wanderley Cerqueira utilizou a expressão “leitear” para se referir à relação política entre o parlamentar e a prefeita Flávia Moretti.
Segundo a denúncia assinada pelo presidente estadual do PL, Ananias Filho, a fala foi discriminatória e configurou um ataque à honra da gestora municipal.
A defesa da prefeita sustentou que a conduta feriu os direitos políticos da mulher. Flávia Moretti chegou a se manifestar publicamente, classificando o episódio como uma manifestação explícita de desrespeito e violência política de gênero.
Em sua defesa, Wanderley Cerqueira alegou que não houve intenção de ofender ou praticar misoginia. O vereador afirmou que utilizou um termo do “linguajar cuiabano” para descrever o ato de bajulação, sem conotação sexual.
Apesar do arquivamento na esfera legislativa, o caso ainda terá desdobramentos no Poder Judiciário. A prefeita Flávia Moretti ingressou com uma queixa-crime por injúria contra o presidente da Câmara.
Crise se aprofunda
Mesmo após o arquivamento do pedido de cassação, a estabilidade institucional está em turbulência após à renúncia oficial do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL).
O rompimento, motivado por discordâncias administrativas e acusações de “loteamento político” na gestão de Flávia Moretti, leva justamente Cerqueira como substituto imediato de Tião na vice-prefeitura.
Zaeli criticou abertamente a nomeação de parentes de vereadores e a abertura de espaço para partidos de oposição, como o MDB e o PT, afirmando que o projeto original de campanha foi descaracterizado.
Enquanto isso, a relação entre o Executivo e o Legislativo segue “em frangalhos”, uma vez que a prefeita mantém a queixa-crime contra o novo vice-prefeito imediato.
Repórter MT




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