A família de um recém-nascido denuncia suposta negligência médica que teria resultado na morte de um bebê, no último domingo (22), no Hospital Maternidade Renê Barbour, em Barra do Bugres (a 178 km de Cuiabá), em Mato Grosso. Segundo o relato, a mãe, gestante, procurou atendimento diversas vezes com dores, mas não teria sido avaliada por um médico especialista.
O caso é investigado pela Polícia Civil como “morte a esclarecer”. Na certidão de óbito, consta que o bebê, que estava na 39ª semana e pesada 3,6kg, teve hemorragia intracraniana, traumatismo e “trauma relacionado ao parto usual”.
De acordo com os familiares, a mulher estava na reta final da gravidez quando começou a sentir as primeiras dores, no dia 15. Na ocasião, ela procurou atendimento na unidade, foi examinada e liberada, sendo informada de que ainda não estava em trabalho de parto. Segundo o relato, apesar da situação, não houve avaliação por médico ginecologista.
Na terça-feira (17), ainda durante a gestação, a paciente foi atendida em uma unidade básica de saúde, onde recebeu a orientação de que o parto poderia ocorrer em até uma semana.
Dias depois, na quinta-feira (19), ela voltou a passar mal e retornou à maternidade. Conforme a família, o atendimento foi novamente realizado sem a presença de um ginecologista, e o quadro foi considerado estável.
Já no domingo (22), com dores mais intensas, a paciente deu entrada na unidade por volta das 10h e permaneceu até às 15h. Durante esse período, recebeu medicação e foi informada de que estava iniciando o processo de dilatação. Mesmo com a evolução do quadro, foi novamente liberada para casa. A família afirma que a ginecologista foi acionada, mas não compareceu.
Na madrugada de domingo para segunda-feira (23), por volta da 1h, a mulher retornou à maternidade com fortes dores. Segundo a família, a equipe tentou contato com a ginecologista diversas vezes, sem sucesso.
À reportagem, a família conta que o parto acabou sendo realizado por profissionais de enfermagem, sem a presença de médico especialista. A ginecologista teria chegado apenas por volta das 7h, quando o bebê já havia nascido.
Após o nascimento, o recém-nascido apresentou complicações. Exames indicaram que ele teria aspirado líquido com fezes ainda no útero. O bebê foi colocado em oxigênio e, posteriormente, entubado, com necessidade de transferência para outra unidade. Uma vaga chegou a ser obtida em Tangará da Serra, mas, quando a ambulância chegou, por volta das 15h, a criança já havia morrido.
Ainda conforme a família, o óbito não teria sido informado de imediato. A declaração de morte aponta lesões graves, como fratura de clavícula, deslocamento de ombro e hemorragia craniana.
Diante da situação, os familiares solicitaram a realização de autópsia para esclarecer as causas da morte.
A família também procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência. Conforme a Polícia Civil, o caso foi registrado como “morte a esclarecer”. Segundo o boletim, uma mulher relatou ter passado por um parto normal no período da manhã, em uma unidade de saúde do município, sendo que o bebê veio a óbito à tarde. Ainda conforme o registro, a própria comunicante procurou a delegacia posteriormente para solicitar a apuração dos fatos. O caso segue sob investigação.
Prefeitura se manifesta
A reportagem buscou posicionamento da Prefeitura do município, que informou que a Secretaria Municipal de Saúde saude notificou o instituto que faz a gestão hospitalar para o município. “A secretaria municipal de saude está aguardando a notificada para informar e enviar os procedimentos adotados”, diz a nota.
O Instituto Maria Schmitt (IMAS), gestor do Hospital Maternidade Municipal de Barra do Bugres Renê Barbour (MT), manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do recém-nascido S. A. A. M.
Neste momento de dor imensurável, nos solidarizamos com a família, expressando respeito e apoio perante uma perda que jamais pode ser minimizada.
Diante do ocorrido e das informações apresentadas, o IMAS adotou imediatamente o afastamento preventivo dos profissionais envolvidos, medida necessária para garantir uma apuração rigorosa, imparcial e transparente dos fatos.
A instituição instaurou procedimento interno de análise, conduzido por equipe técnica, e segue colaborando de forma integral com os órgãos competentes, com o compromisso de esclarecer, com responsabilidade e seriedade, todas as circunstâncias do caso.
Repórter MT




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