25 março, quarta-feira, 2026
spot_img
HomeNotíciasPais são condenados 23 anos de prisão por esmagar crânio de bebê...

Pais são condenados 23 anos de prisão por esmagar crânio de bebê de 39 dias

Após mais de 12 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Barra do Bugres condenou, na noite de hoje (24), Francinaldo José da Silva e Talita Canavarros Soares pela morte brutal do próprio filho, um bebê de apenas 39 dias. O crime ocorrem em 2 de janeiro de 2021. Juntos, eles receberam 23 anos de cadeia.

O Conselho de Sentença acolheu a tese do Ministério Público Estadual (MPE) de que a criança não foi vítima de um acidente, mas sim de sessões de espancamento que resultaram em um traumatismo craniano irreversível.

O juiz Lawrence Pereira Midon leu a sentença fixando as penas em:

Talita Canavarros Soares teve a pena-base foi fixada em 12 anos de prisão, com reconhecimento de atenuante de confissão, ainda que qualificada, e agravante pelo fato de a vítima ser criança e filha da ré, resultando em pena efetiva de 14 anos de reclusão. Pelo delito de fraude processual, a pena foi de seis meses de detenção e dez dias-multa, somando 14 anos e seis meses de detenção, mais dez dias-multa. O magistrado autorizou o imediato cumprimento da sentença e decretou a prisão preventiva dela.

Quanto a Francinaldo José da Silva o juiz fixou a pena máxima em 12 anos de reclusão, com reconhecimento de atenuante de confissão espontânea. Não foi aplicada a agravante de paternidade, com base em entendimento pacificado sobre analogia paterna. Por outro lado, foi reconhecida a agravante do crime ter sido praticado contra criança, fixando a pena em oito anos de reclusão pelo homicídio. Pela fraude processual, a pena foi de seis meses de detenção e dez dias-multa, totalizando oito anos e seis meses de detenção, mais dez dias-multa. O regime inicial de cumprimento da pena foi definido, e Francinaldo teve concedido o direito de apelar em liberdade.

Cérebro destruído e múltiplas fraturas

O ponto mais dramático do julgamento foi a exposição do laudo pericial assinado por um neurocirurgião. O promotor Roberto Arroio Farinazzo Junior não poupou detalhes ao descrever a agonia da vítima.

Segundo a acusação, o crânio do bebê apresentava diversas fraturas e o cérebro estava “destruído” por golpes repetidos.

Quando achamos que chegamos ao limite da maldade humana, percebemos que ela é ilimitada. Isso é uma barbárie“, afirmou o promotor ao exibir fotos do recém-nascido com dezenas de hematomas roxos pelo corpo.

A perícia constatou que as lesões tinham colorações diferentes, o que prova que a criança era torturada sistematicamente antes do golpe fatal. “Ou davam socos na cabeça, ou jogavam no chão, ou arremessavam contra a parede“, completou a promotoria.

Frieza e deboche no banco dos réus

Depoimentos de investigadores que atuaram no caso em 2021 reforçaram a convicção dos jurados. A investigadora Adriana Oenning relatou que, no dia do crime, a mãe demonstrava uma frieza atípica e chegou a ser “debochada” com a equipe policial.

No plenário, Talita admitiu ter derrubado o filho enquanto estava bêbada, mas negou a intenção de matar. “Eu sou dura, não consigo chorar“, justificou a ré.

Francinaldo, por sua vez, tentou se eximir da culpa direta pelas agressões, embora tenha admitido que ouviu o barulho da queda na varanda e não socorreu o filho e nem chamou o Samu.

Ele insinuou que Talita, sob efeito de álcool, perdia o controle e que já havia tentado esfaqueá-lo no passado. Durante os debates, ele chorou ao ver as imagens do filho morto, enquanto Talita evitou olhar para as provas.

Cena do crime lavada

A acusação também provou a qualificadora de fraude processual. Policiais relataram que, apesar das tentativas do casal de limpar a varanda da residência, a perícia encontrou manchas secas de sangue humano no contrapiso.

O Ministério Público sustentou que o casal gastou tempo tentando apagar os vestígios da violência em vez de acionar o Samu para salvar o bebê, que foi deixado agonizando na cama até a morte.

Com a decisão dos jurados, os réus saem do fórum direto para o sistema prisional para o cumprimento das penas em regime fechado, sendo que Francinaldo teve concedido o direito de apelar em liberdade.

Repórter MT

ARTIGOS RELACIONADOS
- Espaço Publicitário-spot_img

MAIS POPULAR

COMENTÁRIOS