A investigação sobre o assassinato do advogado Renato Gomes Nery, morto em Cuiabá, identificou a movimentação de cerca de R$ 215 mil ligada ao pagamento pela execução. O rastreamento financeiro foi feito pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) após autorização judicial para quebra de sigilo bancário de investigados.
A análise das movimentações mostrou que uma investigada apontada como mandante transferiu aproximadamente R$ 200 mil para contas de terceiros. O dinheiro foi movimentado em sequência de transações consideradas atípicas pelos investigadores, estratégia usada para ocultar a origem e o destino final dos valores.
Segundo a apuração, um dos investigados evitou receber diretamente os recursos em sua conta bancária e determinou que os valores passassem por intermediários.
Parte do dinheiro foi utilizada para a compra de um veículo Mercedes-Benz, avaliado em cerca de R$ 115 mil e registrado em nome de um terceiro. Na mesma movimentação financeira, outros R$ 40 mil foram transferidos para a mãe do investigado.
O restante do valor acabou sendo direcionado posteriormente para a própria conta dele. Em outra transação identificada na investigação, a investigada apontada como mandante também realizou um pagamento direto de R$ 15 mil ao mesmo suspeito.
Somadas, as movimentações financeiras chegam a aproximadamente R$ 215 mil — valor que coincide com depoimentos prestados por envolvidos, que afirmaram que o assassinato do advogado teria sido negociado por cerca de R$ 200 mil.
Um dos investigados também confirmou em depoimento a dinâmica do pagamento pelo crime, reforçando as informações identificadas a partir do rastreamento bancário.
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A investigação também aponta indícios de lavagem de dinheiro. De acordo com os investigadores, os valores foram fragmentados e movimentados por intermediários como forma de dificultar o rastreamento da origem ilícita dos recursos.
O crime
Renato Gomes Nery tinha 72 anos e foi baleado em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido e levado para um hospital privado da Capital, onde passou por cirurgia, mas morreu poucas horas depois.
O caso ganhou novos desdobramentos em 2025, quando o Ministério Público Estadual apresentou aditamento à denúncia apontando que o crime teria sido encomendado após uma disputa judicial por terras.
Segundo a acusação, o casal Julínere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi teria mandado matar o advogado após perder uma ação judicial na qual Renato atuou como advogado da parte vencedora. A denúncia também aponta a participação de intermediários, executores e policiais militares no planejamento e execução do homicídio.
O Ministério Público sustenta que o grupo teria estruturado uma rede criminosa com divisão de tarefas para organizar o assassinato e dificultar a investigação.
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