16 março, segunda-feira, 2026
spot_img
HomeNotíciasLocaisPolícia rastreia R$ 215 mil pagos pela morte de advogado em Cuiabá

Polícia rastreia R$ 215 mil pagos pela morte de advogado em Cuiabá

A investigação sobre o assassinato do advogado Renato Gomes Nery, morto em Cuiabá, identificou a movimentação de cerca de R$ 215 mil ligada ao pagamento pela execução. O rastreamento financeiro foi feito pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) após autorização judicial para quebra de sigilo bancário de investigados.

A análise das movimentações mostrou que uma investigada apontada como mandante transferiu aproximadamente R$ 200 mil para contas de terceiros. O dinheiro foi movimentado em sequência de transações consideradas atípicas pelos investigadores, estratégia usada para ocultar a origem e o destino final dos valores.

Segundo a apuração, um dos investigados evitou receber diretamente os recursos em sua conta bancária e determinou que os valores passassem por intermediários.

Parte do dinheiro foi utilizada para a compra de um veículo Mercedes-Benz, avaliado em cerca de R$ 115 mil e registrado em nome de um terceiro. Na mesma movimentação financeira, outros R$ 40 mil foram transferidos para a mãe do investigado.

O restante do valor acabou sendo direcionado posteriormente para a própria conta dele. Em outra transação identificada na investigação, a investigada apontada como mandante também realizou um pagamento direto de R$ 15 mil ao mesmo suspeito.

Somadas, as movimentações financeiras chegam a aproximadamente R$ 215 mil — valor que coincide com depoimentos prestados por envolvidos, que afirmaram que o assassinato do advogado teria sido negociado por cerca de R$ 200 mil.

Um dos investigados também confirmou em depoimento a dinâmica do pagamento pelo crime, reforçando as informações identificadas a partir do rastreamento bancário.

Leia matéria relacionada – Caseiro confessa assassinato do advogado Renato Nery em novo interrogatório

A investigação também aponta indícios de lavagem de dinheiro. De acordo com os investigadores, os valores foram fragmentados e movimentados por intermediários como forma de dificultar o rastreamento da origem ilícita dos recursos.

O crime

Renato Gomes Nery tinha 72 anos e foi baleado em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido e levado para um hospital privado da Capital, onde passou por cirurgia, mas morreu poucas horas depois.

O caso ganhou novos desdobramentos em 2025, quando o Ministério Público Estadual apresentou aditamento à denúncia apontando que o crime teria sido encomendado após uma disputa judicial por terras.

Segundo a acusação, o casal Julínere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi teria mandado matar o advogado após perder uma ação judicial na qual Renato atuou como advogado da parte vencedora. A denúncia também aponta a participação de intermediários, executores e policiais militares no planejamento e execução do homicídio.

O Ministério Público sustenta que o grupo teria estruturado uma rede criminosa com divisão de tarefas para organizar o assassinato e dificultar a investigação.

Vgnotícias

ARTIGOS RELACIONADOS
- Espaço Publicitário-spot_img

MAIS POPULAR

COMENTÁRIOS