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O CONSERVADORISMO DOUTRINÁRIO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL

Pastor Geziel Silva Costa

As Assembleias de Deus no Brasil caracterizam-se historicamente por um forte conservadorismo doutrinário e moral, fundamentado na fidelidade às Escrituras Sagradas e na preservação de valores bíblicos diante das transformações culturais contemporâneas. Desde sua origem, em 1911, o movimento pentecostal assembleiano adotou uma postura de compromisso com a autoridade absoluta da Bíblia, entendida como a revelação inspirada de Deus e regra infalível de fé e prática cristã. Esse posicionamento foi consolidado ao longo das décadas por meio do ensino bíblico, da pregação e da produção teológica promovida pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).

Esse compromisso encontra expressão oficial na Declaração de Fé das Assembleias de Deus, documento doutrinário aprovado pela Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). A Declaração sistematiza as principais doutrinas cristãs defendidas pela denominação, incluindo a inspiração verbal e plenária das Escrituras, a doutrina da Trindade, a divindade de Cristo, a salvação pela graça mediante a fé, o batismo no Espírito Santo e a necessidade de uma vida santa. Segundo Ezequias Soares, na obra Declaração de Fé das Assembleias de Deus (CPAD), esse documento representa “a síntese da fé histórica das Assembleias de Deus, fundamentada inteiramente nas Escrituras Sagradas”.

Diversos teólogos assembleianos têm reafirmado a importância desse conservadorismo bíblico. Antônio Gilberto, na obra Teologia Sistemática Pentecostal (CPAD), destaca que a fidelidade às Escrituras é a base da ortodoxia cristã e o principal meio de preservação da igreja contra heresias e desvios doutrinários. De modo semelhante, Elienai Cabral, em Teologia Sistemática Pentecostal e em seus comentários bíblicos publicados pela CPAD, enfatiza que a igreja deve permanecer fiel à revelação bíblica mesmo diante das pressões culturais e ideológicas do mundo moderno.

DOUTRINAS BÍBLICAS NA DECLARAÇÃO DE FÉ

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus organiza suas crenças em diversos capítulos que tratam das principais doutrinas da fé cristã, sempre fundamentadas exclusivamente na Bíblia. Entre esses ensinamentos está a convicção da inspiração divina das Escrituras, conforme afirma 2 Timóteo 3.16-17: “Toda a Escritura é divinamente inspirada”. A Bíblia é considerada, portanto, a única regra de fé e prática para a igreja.

Além disso, a declaração afirma a doutrina da criação divina, ensinando que Deus criou todas as coisas pelo poder da sua palavra (Gn 1.1; Hb 11.3), rejeitando interpretações naturalistas ou evolucionistas que contradizem o testemunho bíblico. Claudionor de Andrade, em Dicionário Teológico (CPAD),[1] explica que a doutrina da criação é essencial para compreender a soberania de Deus sobre o universo e a dignidade do ser humano como criatura formada à imagem do Criador.

Outro ponto enfatizado é a visão bíblica do casamento e da família. A denominação ensina que o casamento foi instituído por Deus como união monogâmica entre um homem e uma mulher, conforme registrado em Gênesis 1.27 e 2.18-24, e reafirmado por Jesus em Mateus 19.4-6. Ezequias Soares,[2] em seus estudos doutrinários, afirma que a família bíblica constitui a base da sociedade e deve ser preservada de ideologias contrárias ao modelo estabelecido nas Escrituras.

Além dessas doutrinas, a Declaração de Fé enfatiza a necessidade da santificação na vida cristã. O crente, regenerado pelo novo nascimento, é chamado a viver em santidade (1 Pe 1.15-16; Hb 12.14). Stanley Horton, em Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal (CPAD)[3], ensina que a santificação é um processo contínuo operado pelo Espírito Santo na vida do crente, capacitando-o a viver de maneira agradável a Deus.

USOS E COSTUMES CONSERVADORES

O conservadorismo assembleiano também se manifesta na prática dos chamados “usos e costumes”, que representam orientações de comportamento baseadas na interpretação de princípios bíblicos relacionados à modéstia, decência e separação do mundo. Esses princípios encontram fundamento em textos como 1 Timóteo 2.9, que orienta que as mulheres se vistam com modéstia e pudor, bem como em 1 Pedro 3.3-4, que valoriza a beleza interior do caráter cristão.

Historicamente, as Assembleias de Deus no Brasil ensinaram padrões de modéstia no vestuário, sobriedade na aparência e prudência nas práticas sociais, buscando preservar a identidade espiritual da igreja diante da cultura secular. Ciro Sanches Zibordi, em diversos artigos doutrinários e obras publicadas pela CPAD,[4] afirma que esses princípios não devem ser compreendidos como legalismo, mas como expressão prática de uma vida consagrada a Deus.

O ensino sobre santidade também inclui a exortação à pureza moral, especialmente entre os jovens. A Bíblia orienta que os cristãos se abstenham da imoralidade sexual (1 Ts 4.3-5) e honrem o casamento (Hb 13.4). Nesse sentido, a igreja mantém uma posição contrária ao sexo fora do casamento e à banalização do divórcio, defendendo a santidade do matrimônio conforme os ensinamentos bíblicos.

POSIÇÕES CONTRA VÍCIOS E PRÁTICAS IMORAIS

Outro aspecto marcante da ética assembleiana é sua posição firme contra práticas consideradas prejudiciais à vida espiritual e moral do cristão. Entre essas práticas estão o consumo de bebidas alcoólicas, o uso de drogas e o tabagismo, entendidos como comportamentos incompatíveis com a vida de santidade.

A Bíblia ensina que o corpo do crente é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19-20), devendo ser preservado em pureza e disciplina. Antônio Gilberto[5] destaca que a vida cristã envolve domínio próprio e separação de tudo aquilo que possa comprometer a comunhão com Deus.

A denominação também se posiciona firmemente em defesa da vida humana desde a concepção, rejeitando o aborto por considerá-lo incompatível com o ensino bíblico. Textos como Salmos 139.13-16 e Jeremias 1.5 são frequentemente citados para demonstrar que a vida humana é conhecida e formada por Deus ainda no ventre materno.

Além disso, líderes assembleianos têm se manifestado publicamente em defesa da família tradicional, composta por homem, mulher e filhos, conforme o padrão estabelecido nas Escrituras (Gn 2.24; Ef 5.31). Claudionor de Andrade[6] observa que a preservação da família bíblica é essencial para a estabilidade moral da sociedade e para a formação espiritual das novas gerações.

ÊNFASE EM ORAÇÃO, JEJUM E VIDA DEVOCIONAL

Outro elemento fundamental do conservadorismo assembleiano é a valorização das disciplinas espirituais, especialmente a oração, o jejum e a consagração. A prática da oração é vista como essencial para a vida cristã, conforme ensinado por Jesus em Mateus 6.6 e reforçado em Tiago 5.16.

O jejum também é considerado uma prática bíblica importante, mencionada em diversas passagens do Novo Testamento (Mt 6.16-18; At 13.2-3). Elienai Cabral[7] observa que o jejum, quando acompanhado de oração e arrependimento, fortalece a vida espiritual e aprofunda a comunhão com Deus.

Além das disciplinas espirituais, a igreja assembleiana valoriza profundamente a família cristã. O modelo apresentado em Efésios 5.22–6.4 descreve um lar estruturado em amor, responsabilidade e submissão mútua diante de Deus. Nesse contexto, os filhos são considerados bênçãos divinas (Sl 127.3-5), e os pais recebem a responsabilidade de educá-los nos caminhos do Senhor.

Por essa razão, teólogos assembleianos como Ciro Sanches Zibordi defendem que a preservação desses valores torna a igreja um testemunho vivo em meio a uma sociedade marcada por relativismo moral e crise espiritual. Assim, a fidelidade à Palavra de Deus cumpre o princípio estabelecido por Cristo em João 17.15-17, no qual os discípulos são chamados a viver no mundo sem se conformar com ele, sendo santificados pela verdade das Escrituras.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário teológico. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Fundamentos bíblicos de um verdadeiro avivamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

BERGSTÉN, Eurico. Teologia sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

CABRAL, Elienai. Teologia sistemática pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

GILBERTO, Antônio (org.). Teologia sistemática pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

GILBERTO, Antônio. Manual da escola bíblica dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

HORTON, Stanley M. Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

SILVA, Severino Pedro da. Escatologia: a doutrina das últimas coisas. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

SOARES, Ezequias. Declaração de fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

SOARES, Esequias. Heresias e modismos: uma análise crítica das falsas doutrinas da atualidade. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

ZIBORDI, Ciro Sanches. Erros que os pregadores devem evitar. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

ZIBORDI, Ciro Sanches. Mais erros que os pregadores devem evitar. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.


[1]ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário teológico. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

[2]SOARES, Ezequias. Declaração de fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

[3]HORTON, Stanley M. Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

[4]ZIBORDI, Ciro Sanches. Erros que os pregadores devem evitar. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

[5]GILBERTO, Antônio (org.). Teologia sistemática pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

[6]ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Fundamentos bíblicos de um verdadeiro avivamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

[7]CABRAL, Elienai. Teologia sistemática pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

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