20 fevereiro, sexta-feira, 2026
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Coronéis e soldados são investigados por execuções sumárias e ocultação de cadáver em MT

A Justiça Militar de Mato Grosso determinou que a Corregedoria-Geral da Polícia Militar instaure, com urgência, um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar dois coronéis, um cabo e um soldado. O grupo é suspeito de integrar uma milícia privada e de cometer pelo menos sete execuções sumárias, além de ocultação de cadáver, no município de Primavera do Leste (a 231 km de Cuiabá).

A decisão, assinada pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, atende a um pedido do Ministério Público Estadual (MPE). De acordo com o promotor Henrique de Carvalho Pugliesi, os militares utilizavam o fardamento e a estrutura da corporação para realizar abordagens violentas, seguidas de mortes que eram registradas oficialmente como “confrontos armados”. No entanto, a investigação aponta que as vítimas estavam desarmadas e que provas podem ter sido forjadas.

O MPE aponta um padrão de conduta em que os policiais invadiam residências e efetuavam disparos sem qualquer reação das vítimas. Em alguns episódios, há suspeita de que armas tenham sido “plantadas” nas cenas dos crimes para validar a narrativa dos agentes.

Execuções e sobrevivente

Um dos casos mais detalhados na denúncia ocorreu em 24 de novembro de 2025, na região do Vale Verde. Segundo o relato, os policiais invadiram uma casa e atiraram contra dois homens. Para evitar testemunhas, os militares colocaram os feridos em uma viatura sob o pretexto de prestar socorro, mas os levaram para a beira de um rio, onde efetuaram novos disparos. Um dos jovens sobreviveu e é apontado como testemunha ocular do crime.

Outro fato sob suspeita aconteceu em janeiro de 2026, quando uma profissional de saúde e três jovens foram mortos dentro de uma residência. A denúncia aponta que o corpo da mulher foi retirado do local para suprimir vestígios, sendo o caso registrado inicialmente como “desaparecimento”, o que caracteriza o crime de ocultação de cadáver.

Histórico de mortes

O Ministério Público também relaciona outras mortes ao grupo, como a de Riquelme Gomes Pereira, de 18 anos, e Matheus Fernandes Souza, de 25 anos. Em todos os registros, os militares alegaram legítima defesa após supostas trocas de tiros, versão que agora é contestada pela Justiça Militar. Há ainda relatos de invasões domiciliares e intimidação de vizinhos para que imagens de câmeras de segurança não fossem entregues às autoridades.

A Corregedoria-Geral da PM tem o prazo inicial de 40 dias para apresentar os primeiros resultados da apuração.

Outro lado

A Polícia Militar foi procurada pela reportagem para comentar as acusações contra os oficiais e praças, mas até o fechamento desta reportagem, não havia emitido posicionamento oficial. O espaço segue aberto.

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