A sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri dos irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados de planejar e executar o assassinato da produtora rural Raquel Cattani, de 26 anos, acontecerá no próximo dia 22, em Nova Mutum (a 242 km de Cuiabá), em Mato Grosso. A vítima era filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL) e foi morta com 34 golpes de faca dentro da própria casa, em julho de 2024.
Nessa terça-feira (13), a 3ª Vara de Nova Mutum definiu algumas regras para participação na sessão de julgamento, que será presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski.
Entre as determinações estão a limitação da capacidade do plenário a 60 pessoas, sendo 10 vagas reservadas à imprensa, além da proibição da produção de áudios, vídeos e transmissões em tempo real.
A participação na sessão só será permitida mediante inscrição prévia.
Regras para a imprensa
Dez vagas no plenário onde ocorrerá o julgamento de Romero e Rodrigo serão reservadas à imprensa, sendo permitido apenas um representante por veículo. O credenciamento deve ser solicitado até as 14h do dia 20 de janeiro, pelo e-mail jornalismo@tjmt.jus.br. Caso o número de pedidos seja superior ao de vagas, a Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) realizará um sorteio.
Somente os assessores de imprensa do TJ poderão gravar áudio e vídeo da sessão, material que será disponibilizado posteriormente aos demais veículos. Também está proibida qualquer transmissão em tempo real do julgamento.
Não será permitido o trabalho jornalístico dentro do plenário. Informações sobre o andamento da sessão só poderão ser repassadas fora do ambiente interno, por meio de ligações telefônicas ou registros externos.
Acesso do público em geral
Vinte e cinco vagas serão reservadas para familiares e pessoas próximas da vítima e dos réus. Para ocupar essas vagas, as partes deverão encaminhar ao gabinete uma relação contendo nome completo, CPF e indicação do vínculo, acompanhada da comprovação do grau de parentesco ou proximidade. A documentação deve ser enviada impreterivelmente até as 14h do dia 20 de janeiro de 2026.
Outras 25 vagas serão destinadas ao público em geral. As inscrições devem ser feitas até as 14h do dia 20 de janeiro de 2026, pelo WhatsApp (66) 99205-8999. Caso o número de interessados seja maior que o de vagas, também haverá sorteio.
Proibição de celulares e eletrônicos
Está proibido o uso de celulares, notebooks, gravadores e outros aparelhos eletrônicos dentro do plenário. A regra vale para todos, com exceção da magistrada, advogados, servidores e demais profissionais que atuam diretamente no processo. O controle será feito pela Polícia Militar, com uso de detectores de metal.
A decisão também proíbe manifestações públicas de autoridades durante o julgamento, com o objetivo de evitar interferências e garantir a imparcialidade dos jurados. O acesso ao saguão será permitido apenas a pessoas previamente autorizadas.
A segurança será reforçada pela Polícia Militar e pela Coordenadoria Militar do TJMT. As medidas buscam assegurar a transparência do julgamento, sem comprometer a ordem dos trabalhos nem a imagem e a intimidade da vítima.
O crime
Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) como mandante e executor do crime, registrado em 18 de julho de 2024, no Rancho PH, no Assentamento Pontal do Marape, na zona rural de Nova Mutum.
Romero, que foi casado com Raquel por cerca de dez anos e não aceitava o fim do relacionamento, teria planejado o crime e oferecido R$ 4 mil ao irmão Rodrigo para matá-la. Conforme a investigação, os dois se ajustaram previamente para a execução.
Na noite do crime, Rodrigo entrou na casa da vítima e aguardou sua chegada. Quando Raquel retornou, foi atacada com diversos golpes de faca, que resultaram em sua morte. O corpo dela foi encontrado na manhã do dia seguinte pelo pai, Gilberto Cattani.
Na denúncia, o MPMT destacou qualificadoras como feminicídio, emboscada, motivo torpe e homicídio mediante recompensa. Ainda segundo o processo, após o assassinato, Rodrigo furtou diversos pertences da vítima e fugiu utilizando a motocicleta dela.
Os acusados foram presos em 25 de julho de 2024. A denúncia foi recebida em agosto do mesmo ano e ambos foram pronunciados em 19 de dezembro de 2024 para serem julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão de pronúncia foi mantida pelo Tribunal de Justiça após recursos das defesas, com trânsito em julgado em 22 de outubro de 2025.
No dia do julgamento, Romero e Rodrigo participarão presencialmente e serão levados ao plenário sem o uso de algemas e vestidos com roupas civis, conforme decisão da juíza Ana Helena Ronkoski.
Raquel Cattani era produtora rural, fundadora da Queijaria Cattani e reconhecida pela qualidade dos queijos artesanais que produzia. Ela conquistou prêmios e se tornou referência no setor. Raquel deixou dois filhos menores de idade, também filhos de Romero, que atualmente vivem sob a guarda dos avós maternos.
Repórter MT




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