Uma abordagem policial realizada em maio deste ano, quando foram encontrados R$ 40 mil em dinheiro vivo em um veículo ocupado pelos vereadores de Cuiabá Alex Rodrigues e Ilde Taques, deu origem à investigação que culminou na Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta terça-feira (20).
A informação foi confirmada ao por uma fonte. Segundo a apuração, o dinheiro foi localizado durante uma abordagem da Rotam, mas não chegou a ser apreendido pelos policiais. A ocorrência, no entanto, gerou um relatório que levou o Gaeco a investigar as circunstâncias do episódio e possíveis irregularidades envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
A abordagem aconteceu depois que Alex e Ilde deixaram um almoço realizado em uma chácara no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá. No local, estava reunido um grupo de vereadores de Várzea Grande que articulava a eleição da Mesa Diretora do Legislativo municipal várzea-grandense, marcada para o dia seguinte.
O encontro ocorreu em uma propriedade da família do vereador Dr. Miguel, conhecido como Miguelzinho. Conforme já noticiado pelo , uma denúncia apontava que a reunião estaria relacionada à articulação de apoio político para a eleição de Wanderley Cerqueira à presidência da Câmara de Várzea Grande, além de suspeitas de compra de votos.
O relatório produzido após a abordagem passou a integrar o contexto da apuração que resultou na operação desta terça-feira. O Gaeco investiga a possível atuação de um grupo estruturado para obter vantagens indevidas, cooptar agentes públicos e praticar atos de corrupção relacionados à administração pública municipal.
Vereadores confirmam abordagem
Em entrevistas concedidas nesta terça-feira, Alex Rodrigues e Ilde Taques confirmaram que participaram do almoço e que foram abordados pela polícia após deixarem o local. Ambos, porém, negaram qualquer envolvimento em irregularidades.
Alex afirmou que esteve na chácara a convite de Miguelzinho, de quem é amigo pessoal, e que permaneceu no encontro por cerca de duas horas. Segundo ele, não participou de conversas sobre a eleição da Mesa Diretora. “Acredito que eu estava no lugar errado, na hora errada”, declarou.
Questionado sobre os R$ 40 mil, o parlamentar ressaltou que nenhum dinheiro foi encontrado em seus pertences e disse desconhecer a existência da quantia no veículo. “Comigo, o vereador Alex Rodrigues, no meu CPF, não foi encontrado absolutamente nada”, afirmou.
Ilde Taques também confirmou a participação no almoço e a abordagem policial. Questionado repetidas vezes sobre a existência de dinheiro no carro, afirmou que nada ilegal havia sido apreendido e, em uma das respostas, negou que houvesse dinheiro no veículo. “Não foi apreendido nada ilegal, nem na minha casa e nem na abordagem”, declarou.
O fato de os R$ 40 mil não terem sido apreendidos está de acordo com a informação obtida pela reportagem sobre o procedimento policial. A existência da quantia, contudo, passou a ser considerada no contexto da investigação, conforme a fonte consultada pelo .
Operação contra vereadores
A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada nesta terça-feira com o cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá, justamente Alex Rodrigues e Ilde Taques, que participaram do almoço e estavam no veículo abordado pela Rotam em maio.
A operação mobilizou mais de 200 policiais e teve como objetivo reunir elementos de prova sobre suspeitas de corrupção, cooptação de agentes públicos e possível atuação de organização criminosa envolvendo a Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Nas residências dos dois parlamentares cuiabanos, os agentes recolheram aparelhos celulares, segundo os próprios vereadores. Ambos negaram irregularidades e afirmaram que vão colaborar com as investigações.
Repórter MT




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