A atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a ser alvo de críticas no cenário internacional. Em uma nova análise, a revista britânica The Economist classificou o desgaste envolvendo a Corte brasileira como um risco para a democracia e chamou atenção para a concentração de poderes no tribunal.
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O foco da publicação está especialmente na atuação do ministro Alexandre de Moraes, que ganhou protagonismo nos últimos anos em investigações e decisões envolvendo Jair Bolsonaro, aliados do ex-presidente e conteúdos publicados nas redes sociais.
A avaliação ocorre em meio a uma das mais graves crises internas já enfrentadas pelo Supremo. Nos últimos dias, ministros da Corte protagonizaram decisões conflitantes envolvendo a direção da Polícia Federal e investigações relacionadas ao chamado inquérito das fake news. O presidente do STF, Edson Fachin, precisou assumir a condução de questões que estavam sob responsabilidade de outros ministros para tentar conter o conflito institucional.
O próprio inquérito das fake news, aberto em 2019 e posteriormente ampliado para diferentes frentes de investigação, tornou-se um dos principais símbolos das críticas à atuação do Supremo. A investigação, inicialmente instaurada pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, passou anos sob relatoria de Moraes e foi recentemente transferida para a presidência do tribunal.
A concentração de poderes individuais nos gabinetes dos ministros também é apontada por especialistas brasileiros como um dos fatores que alimentaram a atual crise. Juristas têm questionado a duração e a amplitude do inquérito das fake news, além da utilização de decisões monocráticas em temas de grande impacto institucional.
A avaliação da The Economist ganha peso por ocorrer justamente em um momento em que a imagem e a atuação do STF estão sendo acompanhadas de perto fora do Brasil. A revista já havia feito críticas anteriores ao poder acumulado por Moraes e à atuação da Corte em relação às redes sociais e aos opositores do Judiciário.
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No Brasil, a crise também passou a ter reflexos políticos. A disputa eleitoral de 2026 ocorre em meio a uma crescente polarização entre o governo Lula e a oposição, enquanto decisões judiciais envolvendo políticos, redes sociais e investigações continuam ocupando espaço central no debate público.
A situação se agravou nesta semana depois que Fachin suspendeu decisões conflitantes de Flávio Dino e André Mendonça sobre o comando da Polícia Federal e retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news. O presidente do STF justificou a intervenção como necessária para preservar a integridade institucional da Corte.




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