A sede da Prefeitura de General Carneiro ficou sem energia elétrica na manhã desta sexta-feira (28), afetando o atendimento ao público e as atividades dos servidores. O episódio ocorreu enquanto o município prepara um evento orçado em exatamente R$ 1.321.547,71.
Informações divulgadas inicialmente apontavam que o fornecimento teria sido interrompido por falta de pagamento. A administração municipal, porém, negou a existência de inadimplência e afirmou que o desligamento foi necessário para a realização de manutenção e troca do padrão de energia.
Em comunicado interno, os servidores foram informados de que a suspensão ocorreria durante a manhã e que o atendimento deveria ser retomado no período da tarde.
O contraste chamou atenção porque a gestão do prefeito João Filho (MDB) está organizando a 1ª Feira de Desenvolvimento Regional, denominada nos contratos municipais como 1º Festival de Desenvolvimento Regional.
O Termo de Convênio publicado no Diário Oficial do Estado estabelece investimento total de R$ 1.321.547,71. Desse montante, R$ 1,2 milhão será repassado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), enquanto a Prefeitura deverá aportar R$ 121.547,71 como contrapartida.
Considerando a população estimada de 6.319 habitantes, o custo total da programação equivale a aproximadamente R$ 209 por morador.
Documentos encaminhados à reportagem indicam que mais de R$ 700 mil serão destinados à estrutura, incluindo palco, sonorização, iluminação e tendas. Outros cerca de R$ 500 mil estão relacionados às atrações artísticas.
Três shows contratados sem licitação
Três extratos de contratos foram publicados no Jornal Oficial dos Municípios nesta sexta-feira. As contratações foram feitas por inexigibilidade de licitação e assinadas na quinta-feira (27).
A dupla Di Paulo e Paulino foi contratada para se apresentar no dia 25 de setembro. Júnior e Cézar subirão ao palco no dia 26. Já o cantor regional Fagner Delmond deverá realizar apresentações nos dias 24 e 25.
Os extratos confirmam os artistas e as empresas contratadas, mas não informam individualmente os valores dos cachês. A programação será realizada entre os dias 24 e 26 de setembro.
Moradores reclamam de falta d’água e mato alto
Enquanto a estrutura do evento avança, moradores vêm utilizando grupos comunitários para reclamar de interrupções no abastecimento de água. Há relatos de famílias que teriam permanecido vários dias sem fornecimento suficiente para abastecer as caixas-d’água.
O problema possui precedente. Em 2025, a Justiça manteve a condenação do Município ao pagamento de indenização a cinco moradores por falhas no abastecimento registradas em 2024. Na ocasião, foram reconhecidas interrupções prolongadas e reclamações sobre a qualidade da água fornecida.
Moradores também enviaram à reportagem registros de praças e espaços públicos com mato alto e sinais de falta de manutenção. A Prefeitura ainda precisa esclarecer quais serviços estão programados para essas áreas.
Versões divergentes sobre laboratório
Também existem questionamentos sobre a estrutura destinada aos exames laboratoriais. Moradores afirmam que parte dos materiais coletados no município estaria sendo encaminhada para processamento em Barra do Garças.
A versão precisa ser detalhada pela Secretaria Municipal de Saúde. Em junho, a própria gestão divulgou que o Laboratório Municipal havia realizado 2.730 exames em 325 pacientes durante o mês de maio.
Cabe ao Município esclarecer quais procedimentos continuam sendo processados em General Carneiro, quais são encaminhados a outras cidades e se houve redução na estrutura anteriormente disponível.
Agenda eleitoral
Paralelamente aos problemas administrativos, o prefeito intensificou sua participação na campanha eleitoral e uma reunião política está prevista para este sábado (29).
O apoio a candidatos e a participação em atos eleitorais são permitidos. Até o momento, porém, não foram apresentados elementos que demonstrem utilização de servidores, veículos, combustível ou qualquer outra estrutura pública na atividade. Por isso, não há afirmação de irregularidade eleitoral.
O episódio desta sexta-feira expôs um contraste que exige transparência: enquanto o atendimento na sede da Prefeitura foi afetado pela falta de energia e moradores cobram soluções para serviços básicos, a administração avança com um evento de R$ 1,32 milhão.
A Prefeitura sustenta que a interrupção elétrica decorreu exclusivamente de manutenção. O espaço permanece aberto para que a gestão apresente documentos sobre o serviço, detalhe os gastos do evento e responda às reclamações relacionadas ao abastecimento de água, à manutenção urbana e aos exames laboratoriais.
Repórter MT




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