25 agosto, terça-feira, 2026
spot_img
HomeNotíciasLocaisJustiça mantém presa mulher que matou a sogra a pauladas e enforcada...

Justiça mantém presa mulher que matou a sogra a pauladas e enforcada com fio de energia em Confresa

O juiz Nelson Luiz Pereira Júnior, da 3ª Vara Criminal de Porto Alegre do Norte, manteve a prisão de Alessandra do Nascimento Gonçalves, que confessou ter matado a própria sogra, a ex-servidora municipal Maria Aparecida da Silva, de 53 anos, na manhã de sábado (22), em Confresa (a 1.048 km de Cuiabá), Norte de Mato Grosso. A decisão, que converteu a prisão em flagrante em preventiva, foi dada durante audiência de custódia realizada nesse domingo (23).

A liberdade da conduzida, diante dos elementos atualmente disponíveis, representa risco concreto de reiteração de violência e de abalo à tranquilidade pública, mostrando-se necessária a custódia cautelar”, afirmou o juiz.

Na decisão, o magistrado apontou que há indícios suficientes de que Alessandra cometeu o crime. Ela foi encontrada sozinha no imóvel, próxima ao corpo da vítima, portava um pedaço de madeira e apresentava sangue e lesões aparentes. Além disso, segundo o termo de interrogatório citado no documento, ela relatou detalhes sobre a preparação do crime, o deslocamento até a casa da sogra, a espera nos fundos do imóvel, os golpes com o pedaço de madeira e o posterior uso de um fio de extensão elétrica no pescoço da vítima. Os laudos de necropsia, do local do crime, dos instrumentos utilizados e o exame de corpo de delito da acusada ainda deverão ser concluídos.

Para manter Alessandra presa, o juiz considerou que a forma como o crime teria sido praticado demonstra risco concreto à ordem pública. Segundo a decisão, o homicídio teria sido planejado previamente, com a separação do instrumento utilizado, o deslocamento até a residência da vítima e a espera pela saída dela na área dos fundos.

A combinação desses elementos, preparação prévia, espera da vítima, repetição de atos executórios e utilização sucessiva de meios potencialmente letais, constitui dado concreto apto a revelar, nesta fase, risco à ordem pública e a necessidade de contenção cautelar”, diz trecho da decisão.

O magistrado também destacou os dois meios de execução: golpes na cabeça e, posteriormente, o uso do fio elétrico no pescoço. Ainda conforme o relato apresentado no processo, a motivação atribuída à acusada seria provocar sofrimento no companheiro e impedir o fim do relacionamento por meio da morte da mãe dele. O filho de Maria Aparecida informou, por outro lado, que mantinha boa convivência com Alessandra e a tratava como filha.

“A utilização da vida da vítima como instrumento de manipulação emocional do companheiro, se confirmada, reforça a gravidade concreta da imputação e a necessidade de resguardar a ordem pública”, cita outro trecho do documento.

Outro fundamento para a prisão é a necessidade de preservar a investigação. Ainda há testemunhas que precisam ser ouvidas, entre elas a sobrinha e o namorado da vítima. Segundo a decisão, eles pertencem ao mesmo núcleo familiar e moram na mesma localidade que Alessandra, o que poderia facilitar eventual contato ou influência sobre os depoimentos. O juiz entendeu que medidas alternativas, como tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar ou proibição de contato com testemunhas, não seriam suficientes para afastar os riscos identificados.

A defesa pediu que Alessandra fosse colocada em prisão domiciliar por ser mãe de filhos menores de 12 anos. O pedido, porém, foi negado. O magistrado explicou que a legislação permite a prisão domiciliar em determinadas situações envolvendo mães de crianças, mas estabelece uma exceção quando o crime imputado é cometido com violência ou grave ameaça contra outra pessoa. Como o homicídio teria envolvido agressões físicas e estrangulamento com fio elétrico, o juiz considerou que a regra não se aplica ao caso.

Ao final, o magistrado determinou a expedição do mandado de prisão e a manutenção da custódia de Alessandra para garantir a ordem pública e preservar a instrução criminal. Também determinou que o Conselho Tutelar e uma equipe multidisciplinar verifiquem, no prazo de cinco dias, com quem estão os filhos da acusada e se eles estão em condições adequadas de segurança e proteção, além de informar se dependem exclusivamente dos cuidados da mãe.

Conforme noticiado anteriormente pelo , o crime foi descoberto após vizinhos ouvirem pedidos de socorro e acionarem a Polícia Militar. Quando os policiais chegaram ao imóvel, Alessandra estava no local e disse que havia acontecido “uma coisa horrível” com a sogra.

Maria Aparecida foi encontrada morta nos fundos da residência, com grande quantidade de sangue pelo corpo. A nora foi presa em flagrante e, posteriormente, confessou o homicídio durante a investigação.

RepórterMT

ARTIGOS RELACIONADOS
- Espaço Publicitário-spot_img

MAIS POPULAR

COMENTÁRIOS