Uma estátua de 11 metros de altura representando o Diabo tem despertado curiosidade e dividido opiniões nas redes sociais após ser inaugurada em um templo de Quimbanda, em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE). O monumento foi instalado no Palácio Estrela Negra da Quimbanda e, segundo a idealizadora, conhecida como “Mãe Rainha das Trevas”, representa um ato de fé, respeito e gratidão à espiritualidade que segue.
A inauguração ocorreu no dia 25 de julho, durante as comemorações pelos 29 anos do templo, localizado na Praia da Taíba, a cerca de 76 quilômetros da capital cearense. A sacerdotisa afirma que a escultura é a maior do mundo dedicada à representação do Diabo, embora não exista um registro oficial que comprove esse título.
De acordo com a líder religiosa, a obra recebeu investimento superior a R$ 100 mil, totalmente custeado com recursos próprios. Ela também afirmou que o monumento foi construído em propriedade pertencente ao templo e que todas as autorizações necessárias foram obtidas junto aos órgãos competentes.
A sacerdotisa relatou que decidiu erguer a estátua como forma de agradecer pelas mudanças que atribui à sua caminhada espiritual. Segundo ela, sua conversão à Quimbanda provocou conflitos familiares e chegou a resultar em sua expulsão de casa. Atualmente, afirma ter reconstruído sua vida, constituído família e alcançado estabilidade financeira, atribuindo essas conquistas à sua fé.
A repercussão da obra gerou críticas nas redes sociais. Em resposta, Mãe Rainha das Trevas pediu respeito à liberdade religiosa e afirmou que muitos ataques decorrem do preconceito contra religiões de matriz africana. Na interpretação da sacerdotisa, a figura do Diabo possui um significado diferente daquele difundido por outras tradições religiosas, representando proteção, transformação espiritual, misericórdia e paz.
Além da polêmica envolvendo o monumento, a líder religiosa destacou que o templo realiza ações sociais, como a distribuição de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade e instituições que atendem crianças e idosos, além da realização de eventos beneficentes com entrega de brinquedos.
A Constituição Federal garante a liberdade de crença e de culto, enquanto a Lei nº 7.716/1989 tipifica como crime atos de discriminação ou preconceito motivados por religião.
Repórter MT




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