29 julho, quarta-feira, 2026
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Flávia não descarta demissão de servidores: “Pode ocorrer tudo”

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), admitiu, nesta terça-feira (28), a possibilidade de demitir servidores municipais em razão da grave situação financeira enfrentada pelo Município.

A cidade está sob decreto de calamidade financeira e fiscal desde o dia 16 de julho, medida que abrange tanto a Prefeitura quanto o Departamento de Água e Esgoto (DAE). Além disso, o Município enfrenta um bloqueio judicial de R$ 19 milhões em suas contas e acumula uma dívida de aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios.

“Pode ocorrer tudo, porque até agora não conseguimos nenhuma decisão que suspenda o arresto [bloqueio das contas]. Essa dívida de precatórios é uma bola de neve e nunca foi paga pelos gestores anteriores”, disse à prefeita à imprensa, se emocionando no momento da fala.

“Eu também deixei de pagar alguns meses, porque precisava escolher entre quitar os precatórios ou pagar os salários e comprar remédios para a população. Estamos tentando equilibrar as contas do município”, completou.

Segundo Flávia, a atual gestão desembolsa mais de R$ 6 milhões por mês apenas para quitar precatórios herdados, valor superior ao pago em administrações anteriores.

“O Kalil [Baracat] pagava entre R$ 700 mil e R$ 800 mil em 2023. Em 2024, a maior parcela que ele pagou foi de R$ 2,5 milhões. Hoje, a minha parcela fixa é de R$ 6,4 milhões. Só em 2025 já paguei R$ 40 milhões em precatórios, mais do que ele pagou durante toda a gestão”, disse.

Na manhã de hoje, Flávia participou de uma mesa técnica no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para discutir alternativas para o pagamento dos precatórios. Participaram da reunião os conselheiros Antônio Joaquim e o presidente da Corte, Sérgio Ricardo.

“Os precatórios não são um problema que surgiu ontem. Eles se acumulam há anos. Aliás, essa situação só existe porque houve abusos e os gestores deixaram de fazer os pagamentos”, afirmou Antônio Joaquim.

“São cerca de 40 anos de dívidas de precatórios. Dos R$ 1 bilhão que Várzea Grande deve, R$ 550 milhões são do DAE. Por que apenas a Prefeitura paga os precatórios, enquanto a receita do DAE não pode ser utilizada? Porque o DAE não tem recursos para nada. Não tem investimento e nem água. Como vai cobrar?”, questionou o conselheiro.

O Tribunal se colocou à disposição para auxiliar o município na busca por uma solução e destacou que o debate poderá servir de referência para outras cidades de Mato Grosso que enfrentam dificuldades semelhantes com o pagamento de precatórios.

Mídianews

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