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EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas após articulação de Flávio Bolsonaro

29 de Maio de 2026, 06h:56

O governo dos Estados Unidos decretou formalmente a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas internacionais.

O documento oficial foi chancelado pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A resolução é fruto de uma investida política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, que tratou o tema como prioridade em agendas consecutivas na Casa Branca com o próprio Rubio, com o vice-presidente JD Vance e com o presidente Donald Trump.

Os bastidores do avanço dessa sanção indicam que o projeto já colecionava pareceres favoráveis em Washington desde março, impulsionado pelas frentes internacionais lideradas pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro e pelo analista político Paulo Figueiredo.

Naquele período, a canetada de Rubio foi contida temporariamente por uma intervenção de emergência do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

O Itamaraty havia solicitado uma trégua para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pudesse debater propostas conjuntas de combate ao crime internacional diretamente com Trump. No entanto, na reunião bilateral mais recente entre os dois chefes de Estado, Lula optou por não colocar a classificação das facções na mesa para evitar inflar a pauta da oposição.

A decisão impõe um revés diplomático ao Executivo brasileiro. O governo federal se posiciona contra o rótulo de “organização terrorista” para os grupos nacionais por enxergar riscos severos à soberania do país e possíveis sanções indiretas à economia.

Sob as regras do Tesouro americano, a tipificação autoriza o congelamento de bens e punições a bancos, companhias e fundos de investimento que transacionarem com suspeitos de ligação com as facções.

O modelo de restrição adotado pelos EUA é o mesmo aplicado ao Cartel de Jalisco, no México, e ao Tren de Aragua, na Venezuela — medidas que, historicamente, resultaram em bloqueios financeiros severos em território mexicano e serviram de argumento político para intervenções e pressões militares na América Latina.

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